COMO O GOVERNO DILMA ACABOU… LULA ABRIU A CAMPANHA DE 2018

Carlos Novaes, 18 de setembro de 2015

 

A “crise” política está em sua etapa final. Quando a fumaça em dissipação tiver ficado para trás, descobrir-se-á que o segundo governo de Dilma já acabara, embora jamais tenha começado: de um lado, assuma Temer ou não a presidência da República, não há razão para supor que o p-MDB vá perder poder na sarneyzação alcançada: é dele o governo; de outro lado, ao papel definitivo do PT como coadjuvante soma-se a decisão de Lula de jogar a toalha, ainda que sem dizê-lo de uma vez. Estão todos a empanar Dilma, para então passar a fritá-la à milanesa, cada um por seu lado, o que dá a impressão de que atuam como forças de projetos opostos: o p-MDB e a oposição oficial estão em vias de alcançar o pretexto que lhes permita condenar Dilma sem crime, para então fazerem o milagre de “resolver” a crise pondo em prática maldades como as que ela já propõe; Lula e o PT defendem acertadamente o mandato da presidente contra a qual não se demonstrou crime, mas atacam farisaicamente as maldades propostas por ela, muito embora não tenham outro projeto.

Para o establishiment, o afastamento dela vai ficando indiferente, pois, nesse tempo em que o rabo abana o cachorro, Lula, que passou a se sentir seguro com os resultados da Lava Jato, vem dando garantias crescentes de que não quer barulho, pois já está com os olhos em 2018 — o resto é ritual de passagem, ainda que barulhento, como convém a quem “defende os interesses do povo”. De fato, Lula vem há tempos buscando se vacinar contra os danos do governo Dilma sobre si, nunca perdendo uma oportunidade de salpicar na mídia alguma discordância, sempre dosada para não ser nem dura demais que pareça um rompimento ou abandono, nem branda a ponto de sugerir não haver diferenças entre ele e a pupila. Nos últimos dias, Lula deu mais um passo calculado nessa estratégia: depois de ter anunciado, em solo estrangeiro, publicamente, que não estava de acordo com um ajuste que antes parecera lhe convir, Lula agora se diz pronto para o “sacrifício” de ir às ruas defender uma versão ainda menos popular do tal ajuste, em favor do mandato de Dilma.

Não nos enganemos, esse anúncio de uma ida sacrificada às ruas é a abertura da campanha eleitoral de 2018, não o chamado a uma insurreição em defesa do mandato de Dilma. Lula está apenas a se pavonear como defensor do emprego de milhares de petistas (impossíveis de conservar/prorrogar com a queda de Dilma), enquanto também busca garantir a posição mais aberta possível para si mesmo, pois o debate da campanha já começou. Se Dilma superar o impeachment (o que vai ficando mais e mais improvável, até porque não depende dela), Lula poderá escolher, lá adiante, um de dois figurinos eleitorais, conforme o êxito ou o malogro do governo dela: ou aparecerá em 2018 como o chefe contrariado que conseguiu corrigir a pupila e vai retomar o rumo venturoso que ela abandonara; ou se apresentará como o líder que fez tudo o que pôde, mas a teimosia da outra, com quem já terá rompido, pôs quase tudo a perder e, agora, há que recomeçar. Se Dilma cair, tudo fica mais fácil: ele já terá dado à burocracia petista demonstrações suficientes de defesa dos empregos dela e, ao mesmo tempo, já terá deixado claro que não concorda com o ajuste e, assim, diante da ordem Constitucional quebrada, irá para oposição aberta em defesa dos interesses do povo pobre. E há quem acredite e veja nisso a diferença que sonha existir entre PT e PSDB!

Fica o Registro:

– As divisões no p-MDB em torno da queda de Dilma existem, mas não devem ser muito valorizadas: o problema maior está apenas no Rio, pois enquanto Cunha se vê entre a cruz e a fogueira, o núcleo Pezão-Picciani não pode, sem mais, debandar da base da presidente que tanto o apoiou (parte da “radicalidade” de Lindberg Farias contra o ajuste de Dilma está ligada a esse apoio que ela deu a eles na eleição de 2014).

– Quanto ao PSDB, o papel dele é esperar pela decisão alheia e, então, se for o caso, dar número para o impeachment, pois a desmoralização é total.

– Ao voltar à CPMF, da qual havia recuado erradamente, Dilma fez a coisa certa, mas só depois de ter dado uma oportunidade a mais para que a desautorizassem. Seja como for, ficou claro, como argumentei aqui, que não havia nada de “suicídio” em ter proposto a volta desse “imposto”.

– O corte na verba cultural do sistema “S” é mais uma evidência do misto de miopia e autoritarismo do governo nessa área: quer tirar dinheiro de programas culturais de comprovada relevância, enquanto mantém verbas laxas destinadas a esse verdadeiro “se vira nos trinta” nacional em que se transformou a tal “economia criativa”, com o detalhe de que no “se vira nos trinta” do lulopetismo o dinheiro é entregue antes da avaliação do público, cuja opinião jamais se leva em conta.

2 ideias sobre “COMO O GOVERNO DILMA ACABOU… LULA ABRIU A CAMPANHA DE 2018

  1. FRANCISCO ELIO

    Como foi dito no artigo o LULA já entrou em campanha,e mesmo com todos os escândalos contra o PT quando o LULA entra em campanha sair de baixo,e do outro lado ou do mesmo,o PMDB pretende lançar candidatura própria seja com o TEMER ou o CUNHA e ainda tem o GERALDO do PSDB e outros candidatos por ai.Uma candidatura com MARINA SILVA e HELOÍSA HELENA em 2018 poderia surgir como uma terceira via em 2018 ou a MARINA já provou que não é uma alternativa em 2014,mas sim,só mais um toque verde do mesmo?????

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  2. FRANCISCO ELIO

    NOVAES,mesmo com a DILMA promovendo o ajuste fiscal,ou seja,atendendo os interesses da classe dominante brasileira o SR acha que pode ocorrer o IMPEACHMENT???a derrubada da presidenta não traria insegurança econômica aos capitalistas???não seria mais prudente para eles sangrar ainda mais o governo para levar em 2018???

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