NOTAS CURTAS – 2, 22/08/2014

Carlos Novaes, 22 de agosto de 2014

 O PSB acerta quando escolhe Luiza Erundina para substituir o contrariado Siqueira na coordenação geral da campanha presidencial. Deixa de lado um quadro da velha política e traz para o comando uma liderança com luz própria, que sempre enfrentou as máquinas políticas rotineiras na busca de uma nova política, mesmo pagando o preço alto que a coerência sempre impõe a quem não se submete ao realismo da “política real” — quem se pauta pela chamada política real não entende que o real será o que fizermos dele.

O PSB erra quando gasta suas poucas inserções na propaganda eleitoral para falar da dupla descoberta que a morte de Eduardo Campos impôs ao eleitor: a de que havia uma alternativa e a de que a perdeu. Isso é matéria de análise, não de propaganda. Ao invés de gastar um tempo precioso repetindo para o eleitor o que ele já está vivendo, a propaganda deveria fazer dos sentimentos e descobertas suscitados alicerce para o que tem a propor para adiante, falando de Marina e seu projeto, não de Campos.

O PT e o PSDB fazem campanhas convencionais, pouco inspiradas, mostrando Dilma e Aécio como fazedores, prisioneiros de seu compromisso irremediável com a política padrão, desprovidos de repertório para atacar os temas que realmente importam quando se debate o futuro do país: a desigualdade, a crise de representação, a corrupção e o modelo de desenvolvimento. Por mais que as cenas de suas grandes obras, ou os gráficos sobre suas realizações, fossem narrativas honestas do que fizeram (e não são), ainda assim essa pirotecnia não pode encobrir o que o eleitor já enxergou: é quase nada, quando se entende que a desigualdade é o grande desafio; é pouco, perto do que poderia ser feito com os mesmos recursos, se alocados com mais eficiência e honestidade; é insustentável, sempre que se tiver em mente um verdadeiro modelo de desenvolvimento e não uma sucessão de iniciativas ditadas antes de tudo pelos grandes interesses do mundo do dinheiro; é conservador, pois o país requer não uma reforma política, mas a própria reinvenção da política, notadamente ali onde ela é representação.

O PSOL erra ao trazer Luciana Genro com um discurso próprio de uma campanha para o legislativo, com chavões como “sistema” e “conto com você”. A continuar assim, vai sair da campanha menor do que entrou.

O PV desperdiça Eduardo Jorge numa campanha com ares de pregação ao “homem de boa vontade”, voltada, quando muito, aos já convertidos.

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