BOLSONARO IMITA TRUMP ATÉ NA COVARDIA

Carlos Novaes, 09 de setembro de 2021

O 7 de setembro vai se revelando a invasão tupiniquim do Capitólio.

O golpismo do besta se desfez por si mesmo no momento em que ele passou da fanfarronice verbal para o rabo-entre-as-pernas em relação aos seus próprios seguidores, pantomima que se deu quando ele pediu o recuo do bloqueio às estradas feito por transportadores, essa versão claramente empresarial do golpismo. Em seguida, levou o rabo-entre-as-pernas para o cenário internacional, e passou a bajular a China na abertura da cúpula dos BRICs, ocorrida esta manhã (sim, leitor, depois do dia 08, veio o dia 09…).

Agora, esse jegue coxo, que já havia parado de escoicear, sequer poderá voltar a mostrar os dentes sem ser acompanhado por uma aura de ridículo. Não se pode dizer que as manifestações do dia 7 de setembro foram o canto de cisne de Bolsonaro porque os cisnes não cantam quando morrem.

Daqui prá frente, vamos assistir ao festival de “valentia” e “sensatez” dos facciosos de todos os matizes “oposicionistas”, com o correspondente crescimento das manifestações de rua contrárias ao imbecil, pois, como diz o velho ditado, “cão danado, todos a ele!”. E nessa marcha, a maioria da sociedade brasileira caminha para ser feita de trouxa pelos políticos profissionais outra vez.

De par com esse embuste, a mídia convencional vai ficar coalhada de artigos “analisando” a “nova” situação, onde a nota predominante será o olhar de paisagem para as besteiras ditas ao longo de todos esses meses, no curso dos quais 11 de cada 10 representantes dessa miséria analítica abordava o apocalipse à sua própria maneira, ora querendo uma frente contra este imbecil, ora festejando as “nossas instituições” (isto é, o Estado de Direito Autoritário), ora atribuindo ao besta os cálculos mais sofisticados, ora inventando correlações históricas risíveis em sua vacuidade e ausência de poder explicativo, ora enaltecendo, quando não bajulando, figuras facciosas execráveis até quando fazem a coisa certa.

OUTRA COISA:

Aos interessados no realismo literário na Rússia do século XIX, informo que em julho próximo passado concluí a versão final do meu livro sobre as relações que julgo ter descoberto entre obras dos escritores russos Ivan Turguêniev e Aleksandr Púchkin. A mera leitura dos índices do meu trabalho mostra que o estudo do material literário me levou a interpretar de maneira nova passagens decisivas de Eugênio Oneguin e de Notas de um caçador.

Eis o link para a versão integral do livro, em formato .pdf:

LITERATURA CONTRA IMOBILISMO NA RÚSSIA DO SÉCULO XIX

Realismo literário como crítica em obras-primas de Aleksandr Púchkin e Ivan Turguêniev

1 pensou em “BOLSONARO IMITA TRUMP ATÉ NA COVARDIA

  1. Ricardo

    Para o bem ou para o mal, a quadra histórica que atravessamos tem se mostrado muito testemunhal no que toca às entranhas do jogo político e no embate dos grupos de interesse que tem a perder ou lucrar com os possíveis desfechos do governo atual.
    Durante um trecho do discurso do presidente em SP, o ângulo de enquadramento do vídeo mostra o momento em que o pastor Silas move os lábios antecipando tudo o que Bolsonaro, de microfone na mão, estava a dizer naquele momento, como se ambos houvessem repassado dezenas de vezes o que haveria de ser dito na tarde daquele dia, como se as palavras que saíam da boca do anticristo não lhe pertencessem de fato.
    Está claro o motivo por que Lira não pauta qualquer dos pedidos de impeachment em sua gaveta: as “emendas de relator” (lê-se as emendas para a repartição pelo presidente da Câmara) que tendem a aumentar ainda mais na medida em que apoiar o governo fica mais desgastante. Aras também defende interesses próprios ao se esquivar de mover qualquer denúncia contra o presidente, único que pode conduzi-lo ao ápice da carreira jurídica.
    Os evangélicos estão nessa porque suas lideranças, junto do políticos como importantes cabos eleitorais, conseguem tratamento diferenciado para seus templos, perdão de dívidas de impostos e, de quebra, a chance de infiltrar na Suprema Corte um magistrado alinhado com as visões conservadoras que pregam. Além dos interesseiros que deixam sua marca nas convulsões do momento, tem os patrocinados e os fanatizados. Estes últimos talvez sejam os únicos a não perceber que Bolsonaro faz o que faz por já começar a antever a si próprio e aos seus tolhidos da liberdade. Se a cadeia o espera quando seu foro especial por decoro de função acabar, só lhe resta radicalizar (no discurso) agora, inadiavelmente, à espera de alguma conjuntura que torne forçoso o apoio das massas para institucionalizar a ruptura almejada. É mais desespero do que demonstração de cálculo e inteligência.

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