{"id":159,"date":"2013-09-05T02:54:36","date_gmt":"2013-09-05T02:54:36","guid":{"rendered":"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=159"},"modified":"2013-09-07T18:14:54","modified_gmt":"2013-09-07T18:14:54","slug":"partidos-e-profissionais-da-representacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=159","title":{"rendered":"PARTIDOS E PROFISSIONAIS DA REPRESENTA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\"><span style=\"line-height: 1.714285714; font-size: 1rem;\">Carlos Novaes, setembro de 2013<\/span><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil constatar que o prest\u00edgio dos partidos n\u00e3o est\u00e1 em expans\u00e3o em parte alguma no mundo, havendo situa\u00e7\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o e muitos exemplos de decl\u00ednio propriamente dito. Menos trivial \u00e9 uma explica\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel para o fen\u00f4meno. Uns dizem que as pessoas j\u00e1 n\u00e3o querem partidos porque eles n\u00e3o t\u00eam nitidez ideol\u00f3gica ou program\u00e1tica, diagn\u00f3stico que p\u00f5e o problema l\u00f3gico de que se h\u00e1 tanta gente querendo partidos ideol\u00f3gicos ou program\u00e1ticos, eles deveriam existir fortes \u00e0s pencas&#8230;Outros entendem que os partidos s\u00e3o por demais hierarquizados, embora quase todo partido que surge, por mais que trombeteie novidades, j\u00e1 venha com sua pir\u00e2mide de poder pronta, provida de altar e sarc\u00f3fago.<\/p>\n<p>Numa outra linha explicativa, h\u00e1 quem arrisque um palpite aparentemente mais radical: a crise seria da <i>forma<\/i> partido, que j\u00e1 n\u00e3o responderia \u00e0s exig\u00eancias pol\u00edticas de nosso tempo, devendo ser substitu\u00edda por outra coisa(\u00bf). Mas, para que essa abordagem tenha alguma chance de parar de p\u00e9, \u00e9 necess\u00e1rio que se defina a <i>forma<\/i> partido como sendo necessariamente aquela dos partidos que conhecemos e, assim, se condene \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de velharia sem remiss\u00e3o toda e qualquer associa\u00e7\u00e3o para organizar a a\u00e7\u00e3o coletiva na esfera p\u00fablica pol\u00edtica eleitoral. Encarcerada no dogma de que n\u00e3o se pode imaginar partidos diferentes dos que temos, a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica eleitoral organizada j\u00e1 n\u00e3o seria poss\u00edvel, sendo necess\u00e1rio imaginar um outro mundo. Como essa op\u00e7\u00e3o vai ser muito demorada, talvez seja melhor fazermos um esfor\u00e7o para reconhecer que a forma partido n\u00e3o pode ser descartada, pois <i>algum<\/i> partido \u00e9, necessariamente, pelo menos nesse mundo, a \u00fanica forma de organizar a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica eleitoral daqueles que pensam de maneira semelhante o diagn\u00f3stico e as solu\u00e7\u00f5es para os problemas que nos atribulam na esfera p\u00fablica.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 1rem; line-height: 1.714285714;\">Como no Brasil a legisla\u00e7\u00e3o permite total liberdade de organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, estamos com sorte: ningu\u00e9m precisa se desculpar por querer um partido, pois ele pode ter a forma que quisermos e, assim, pode ser bem diferente de tudo o que conhecemos. Afli\u00e7\u00f5es com o tema s\u00e3o desnecess\u00e1rias, salvo a gin\u00e1stica exigida de todo aquele ou aquela que, apegada ao mando, e sem querer deixar o fluxo da moda, n\u00e3o assume o risco de desconstrui-la, preferindo por um p\u00e9 em cada canoa: afirma a crise irremedi\u00e1vel da forma partido; mas trata de hierarquizar e mandar no seu, que ningu\u00e9m \u00e9 de ferro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.714285714; font-size: 1rem;\">Como quer que se apresentem partidos velhos e novos, o fato \u00e9 que nove de cada dez cr\u00edticos dos partidos no Brasil dizem, <a title=\"Lista Fechada e Financiamento P\u00fablico\" href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=43\">impertinentemente<\/a>, que eles s\u00e3o fracos. E entendem essa suposta fraqueza como sendo, vejam s\u00f3, ou o resultado da, ou a pr\u00f3pria, falta de nitidez ideol\u00f3gica ou program\u00e1tica; ou a consequ\u00eancia de os eleitores darem o voto a indiv\u00edduos, n\u00e3o a partidos (esses mesmos que n\u00e3o s\u00e3o programaticamente atraentes&#8230;) . Feito o &#8220;diagn\u00f3stico&#8221; equivocado, os engenheiros institucionais passam a matutar uma engenhoca legal que nos d\u00ea, a um s\u00f3 tempo, partidos fortes, ideol\u00f3gicos e program\u00e1ticos, como se qualquer uma dessas caracter\u00edsticas pudesse brotar da vig\u00eancia de alguma lei urdida para tanger o eleitor e n\u00e3o fosse necessariamente o resultado contingente de uma complexa din\u00e2mica social em que as pessoas se interessem pela esfera p\u00fablica pol\u00edtica e, uma vez nela, venham a se reconhecer, talvez, em partidos assim.<\/span><\/p>\n<p>O embara\u00e7o principal em que se metem nossos engenheiros resulta de que n\u00e3o h\u00e1 exemplo mundial a apontar. O mundo, em sua infinita diversidade, conhece todo tipo de arranjo entre sistemas eleitorais e partid\u00e1rios e, n\u00e3o obstante, padece dos mesmos males: baixa representa\u00e7\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o (<i>accountability<\/i>), com desprest\u00edgio dos partidos. Assim, por mais dif\u00edcil que seja abandonar a atmosfera da invencionice institucional, o melhor \u00e9 descer da jabuticabeira e buscar a causa do problema fora dos sistemas eleitoral e partid\u00e1rio. E, uma vez escolhida outra abordagem, a solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 na cara: o que h\u00e1 de comum a todos os pa\u00edses ditos democr\u00e1ticos, com os mais diferentes sistemas combinados, \u00e9 a exist\u00eancia mals\u00e3 de uma representa\u00e7\u00e3o profissional, cujo lastro central \u00e9 a prerrogativa da reelei\u00e7\u00e3o, quase sempre infinita, para os legislativos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do que j\u00e1 foi dito sobre o tema dos <a title=\"S\u00f3 4 J\u00e1\" href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=115\">profissionais <\/a>da representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em <a title=\"Nem Delegat\u00e1rios, nem Abnegados\" href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=125\">outros <i>posts<\/i><\/a> deste Blog, parece oportuno <strong>chamar a aten\u00e7\u00e3o<\/strong> &#8212; nesse momento em que mais uma busca por partidos &#8220;fortes&#8221; \u00e9 empreendida entre n\u00f3s, com a tentativa, dessa vez equivocada, de lei de iniciativa popular para o sistema eleitoral do pessoal da &#8220;ficha limpa&#8221; &#8212;\u00a0<strong>para o fato<\/strong> de que uma das consequ\u00eancias da representa\u00e7\u00e3o ter se tornado uma rotina de profissionais \u00e9 a paulatina descaracteriza\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as entre partidos. Ningu\u00e9m mais parecido com um pol\u00edtico de carreira do que outro pol\u00edtico de carreira. Eles criam la\u00e7os corporativos contra n\u00f3s, eleitores, que somos mais e mais vistos como <b><span style=\"text-decoration: underline;\">o<\/span><\/b> problema. Al\u00e9m dos cacoetes comuns do pr\u00f3prio exerc\u00edcio modorrento da representa\u00e7\u00e3o como carreira (ora vereador, ora deputado estadual, mais adiante deputado federal, etc), que corrompem diferen\u00e7as &#8220;ideol\u00f3gicas&#8221; que fossem de esperar (e que s\u00f3 aparecem como artif\u00edcios de campanha ou ferramentas fajutas da luta interna), obter a reelei\u00e7\u00e3o cont\u00ednua requer uma nova ci\u00eancia, com suas respectivas t\u00e9cnicas, tecnologias e profissionais especializados, estabelecendo-se uma padroniza\u00e7\u00e3o em tudo ao avesso do que seria uma rela\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o por si mesma din\u00e2mica, atenta aos ajustes ou \u00e0s mudan\u00e7as requeridas pela sociedade. Em outras palavras, o sistema pol\u00edtico, enquanto sistema, se diferencia e se op\u00f5e ao mundo da vida, enquanto vida.<\/p>\n<p>Se queremos que os partidos mudem, ainda que venham a continuar tendo as prefer\u00eancias que tem, precisamos entender que n\u00e3o devemos dar for\u00e7a a quem neles j\u00e1 tem poder de mando, como iria acontecer se d\u00e9ssemos a eles o conforto do voto em lista ou o dinheiro certo do financiamento p\u00fablico. Acabemos com a reelei\u00e7\u00e3o para os legislativos, obrigando os partidos a se abrirem para a sociedade de modo permanente, ininterrupto. Com isso, quem se interessa por pol\u00edtica, e at\u00e9 contingentes porventura existentes de uma demanda reprimida por participa\u00e7\u00e3o, ou ir\u00e3o buscar suas afinidades nos partidos estabelecidos, complicando a vida dos caciques que ser\u00e3o obrigados a se submeterem a uma din\u00e2mica permanente de renova\u00e7\u00e3o; ou ir\u00e3o propor a cria\u00e7\u00e3o de partidos novos. Num caso ou no outro, como resultado da renova\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria, \u00a0os partidos acabar\u00e3o por apresentar diferen\u00e7as significativamente mais n\u00edtidas entre si e haver\u00e1 poucas chances de que se aboletem no poder interno os mesmos de sempre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Novaes, setembro de 2013 N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil constatar que o prest\u00edgio dos partidos n\u00e3o est\u00e1 em expans\u00e3o em parte alguma no mundo, havendo situa\u00e7\u00f5es de manuten\u00e7\u00e3o e muitos exemplos de decl\u00ednio propriamente dito. Menos trivial \u00e9 uma explica\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel para o fen\u00f4meno. 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