{"id":1993,"date":"2015-09-13T17:33:35","date_gmt":"2015-09-13T20:33:35","guid":{"rendered":"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=1993"},"modified":"2015-09-14T14:20:13","modified_gmt":"2015-09-14T17:20:13","slug":"dilma-ja-nao-faz-diferenca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=1993","title":{"rendered":"DILMA J\u00c1 N\u00c3O FAZ DIFEREN\u00c7A"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Carlos Novaes, 13 de setembro de 2015<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Venho insistindo que a crise econ\u00f4mica \u00e9 real e a &#8220;crise&#8221; pol\u00edtica, fajuta, entendimento que \u00e9 o oposto da imensa maioria dos comentadores, que t\u00eam nutrido a desorienta\u00e7\u00e3o quase geral propagando dois equ\u00edvocos: o de que o pa\u00eds precisa de um &#8220;novo bloco de poder&#8221;, ou seja, a &#8220;crise&#8221; pol\u00edtica seria real; e o de que a crise econ\u00f4mica comanda essa &#8220;crise&#8221; pol\u00edtica encarada como real. A plausibilidade de ambos os equ\u00edvocos decorre de uma mesma paix\u00e3o, manipulada cuidadosa e milimetricamente pela raz\u00e3o c\u00ednica que fervilha na nuvem compartilhada por profissionais e operadores simb\u00f3licos da nossa pol\u00edtica profissional: a paix\u00e3o de que o culpado pelos nossos problemas tem nome e sobrenome, Dilma Roussef. Antes de enfrentarmos a rela\u00e7\u00e3o entre as duas chamadas crises e o papel da infausta Dilma nela, conv\u00e9m recapitular esta decisiva semana que passou: aberta com o artigo de FHC no domingo passado, no qual nosso dubl\u00ea de soci\u00f3logo &#8220;teorizou&#8221; sobre a suposta necessidade de um novo &#8220;bloco de poder&#8221;, a semana foi coerentemente encerrada com a not\u00edcia da ida de Temer para a R\u00fassia, viagem a ser feita com pose e entourage de chefe de estado (nem em sonhos eu poderia pedir ilustra\u00e7\u00e3o mais fiel \u00e0s minhas reflex\u00f5es! &#8211;<strong>*<\/strong>). Mediando esses dois extremos que se tocam, tivemos ainda, nesta semana:<br \/>\n<strong>1.<\/strong> a reuni\u00e3o em que o p-MDB repactuou suas disputas internas com a decis\u00e3o de negar a Dilma tudo o que tiraria o pa\u00eds desse inferno, mas que dever\u00e1 mais adiante ser concedido para a gl\u00f3ria &#8220;salvadora&#8221; de um governo Temer, &#8220;demonstrando-se&#8221;, assim, que a culpada exclusiva do desgoverno era mesmo Dilma, inflando as certezas dos idiotas, que em seu j\u00fabilo estar\u00e3o cegos para os sofrimentos do povo pobre;<br \/>\n<strong>2.<\/strong> o rebaixamento da nota econ\u00f4mica do Brasil, por uma dessas ag\u00eancias internacionais que avaliavam como boa a situa\u00e7\u00e3o daqueles que quebraram o mundo em 2008 (a esse respeito, o comportamento de certos &#8220;analistas&#8221; tem sido repulsivo, especialmente \u00e0 luz do que escreveram naquela altura);<br \/>\n<strong>3.<\/strong> a formaliza\u00e7\u00e3o, pela PF, de que n\u00e3o h\u00e1 <em>provas formais<\/em> de envolvimento do Lula na Lava Jato (incautos acham que essa not\u00edcia da PF foi contra Lula, caindo no despiste da recomenda\u00e7\u00e3o de que ele precisaria ser ouvido&#8230;, recomenda\u00e7\u00e3o que o desgasta, \u00e9 verdade, mas traz, a contrapelo, a absolvi\u00e7\u00e3o dele!); e, finalmente,<br \/>\n<strong>4.<\/strong> a ida desse desgastado e aliviado Lula para a oposi\u00e7\u00e3o, se antecipando l\u00e1 da Argentina a um governo que pode sair do &#8220;novo&#8221; bloco de poder sugerido pelo pouco imaginativo FHC, se Dilma cair.<\/p>\n<p>Diante desse &#8220;acerto&#8221; geral e de suas consequ\u00eancias para 2018, Dilma se tornou irrelevante e sua queda quase que s\u00f3 depende de um pretexto jur\u00eddico, para o qual H\u00e9lio Bicudo forneceu o amparo da sua autoridade, num rompimento cabal com o <em>lulopetismo<\/em>, rompimento este cujos pr\u00f3s e contras Bicudo ruminou por longos vinte e dois anos&#8230; &#8212; ningu\u00e9m pode dizer que esta n\u00e3o tenha sido uma decis\u00e3o maturada, n\u00e3o \u00e9 n\u00e3o?<strong> **<\/strong>. Voltemos \u00e0s duas crises.<\/p>\n<p>A ideia de que a &#8220;crise&#8221; pol\u00edtica decorre da crise econ\u00f4mica, de que a segunda explica a primeira, teve aceita\u00e7\u00e3o f\u00e1cil por duas raz\u00f5es: primeiro, porque um certo marxismo de manual se tornou a ferramenta mental b\u00e1sica dos leitores de jornal, digam-se eles de esquerda, ou n\u00e3o; segundo, porque o desmanche do pacto do Real se imp\u00f5e, de fato, como desarranjo para o sistema pol\u00edtico que o operava. N\u00e3o obstante essa derrocada do pacto &#8212; em torno do qual os cond\u00f4minos PT e PSDB se digladiavam (sem motivo outro sen\u00e3o a mera e simples disputa pelos rent\u00e1veis postos de poder) &#8212; implique um desarranjo na <a title=\"S\u00d3 4 J\u00c1 \u2013 representa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 profiss\u00e3o\" href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=115\">ordem pol\u00edtica profissional<\/a> que nele se sustentava, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para derivarmos dela, da derrocada, a &#8220;crise&#8221; pol\u00edtica em que os profissionais e seus analistas pretendem nos fazer acreditar que o pa\u00eds submergiu. <em>\u00c9 que o motor da &#8220;crise&#8221; fajuta \u00e9 a Lava Jato, n\u00e3o a economia<\/em>. N\u00e3o fosse a Lava Jato, nem os t\u00e3o condenados erros de Dilma seriam t\u00e3o condenados, nem a &#8220;calamitosa&#8221; situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica seria t\u00e3o calamitosa aos olhos de quem faz o alarido do fim do mundo. Tudo se arranjaria de modo a procrastinar as consequ\u00eancias pol\u00edticas da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica adversa, numa fuga para a frente em que os mesmos atores profissionais de sempre buscariam ganhar tempo para mais um acerto como aquele que o Real instituiu e ao qual o <em>lulopetismo<\/em> aderiu formalmente em 2002. Em outras palavras, n\u00e3o fosse a Lava Jato, a eros\u00e3o do pacto do Real n\u00e3o ficaria t\u00e3o clara como ficou e os atores comprometidos politicamente com a manuten\u00e7\u00e3o da nossa desigualdade (governo e oposi\u00e7\u00e3o) teriam tempo para engendrar, com calma, um outro arranjo, uma vez que a sociedade brasileira, embora pare\u00e7a muito engajada, est\u00e1 inerme, pois desprovida de vetor pol\u00edtico que lhe permita sair da crise com um <a title=\"REPRESENTA\u00c7\u00c3O E TRANSFORMA\u00c7\u00c3O\" href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=1601\">vi\u00e9s transformador<\/a>, tra\u00edda e embrulhada que foi pela pol\u00edtica dos profissionais e de l\u00edderes que aspiram chegar l\u00e1.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o liderada pelo juiz Sergio Moro se imp\u00f4s como uma vari\u00e1vel n\u00e3o controlada e colocou o sistema pol\u00edtico profissional em polvorosa, ao mesmo tempo em que forneceu a muni\u00e7\u00e3o apropriada (e merecida) para o abate oportunista (sempre o \u00e9) do <em>lulopetismo<\/em>, cond\u00f4mino inc\u00f4modo, que n\u00e3o sabia se comportar na piscina e insistia em ocupar as \u00e1reas de festa e, ainda por cima, com churrasco e pagode&#8230; Em outras palavras: com a Lava Jato, n\u00e3o s\u00f3 o PSDB, <em>na oposi\u00e7\u00e3o<\/em>, viu a oportunidade de suplantar o PT, como tamb\u00e9m os chefes do p-MDB (Renans e Temers),<em> na situa\u00e7\u00e3o<\/em>, fi\u00e9is da balan\u00e7a no pacto que &#8220;polarizava&#8221; PT e PSDB, se viram apanhados num fogo cruzado, e precisaram de tempo para resolver o melhor a fazer diante da jun\u00e7\u00e3o adversa de estarem na condi\u00e7\u00e3o de <em>governo<\/em> num momento em que seria melhor estar na <em>oposi\u00e7\u00e3o<\/em> e, por isso mesmo, tendo de enfrentar uma dissid\u00eancia interna (Cunha), que viu antes deles a <a title=\"O RABO ABANA O CACHORRO \u2014 1 de 2\" href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=1917\">oportunidade que se abrira<\/a>. A solu\u00e7\u00e3o foi ganhar tempo, e esse tempo foi o mart\u00edrio remanchado da fr\u00e1gil e incapaz Dilma, para o qual foram mobilizadas multid\u00f5es religiosas de inocentes \u00fateis, convidadas a inundaram ruas e pra\u00e7as do pa\u00eds para mais uma realiza\u00e7\u00e3o exemplar do rito sacrificial de que o mito primordial de Abra\u00e3o se fez feixe: o que n\u00e3o falta \u00e9 gente implac\u00e1vel, seja nas ruas, seja nas redes sociais. E tudo para cortar a cabe\u00e7a errada!<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, o mart\u00edrio de Dilma teve duas manobras e um lan\u00e7a\u00e7o final: primeiro, atribuiu-se a ela a crise econ\u00f4mica; segundo, negou-se a ela todos os instrumentos para combater essa mesma crise, opera\u00e7\u00e3o na qual se transformou o Or\u00e7amento da Uni\u00e3o em pe\u00e7a econ\u00f4mica, quando ele \u00e9, e sempre foi, a express\u00e3o cont\u00e1bil de um arranjo pol\u00edtico. Quando Dilma, acertadamente, pediu a CPMF para fechar o rombo, negaram; em seguida, quando ela escancarou a patranha enviando ao Congresso um or\u00e7amento com d\u00e9ficit, foi imediatamente acusada de se recusar a governar, quando s\u00e3o eles que a tem impedido de faz\u00ea-lo! Emparedada, recebeu o lan\u00e7a\u00e7o final, na forma de dois recados enviados por Lula desde o outro lado do rio da Prata: primeiro, ele sacramentou o abandono da &#8220;defesa&#8221; do ajuste de Dilma (ao qual de in\u00edcio apoiava porque ainda apostava suas chances de 2018 numa recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica sob Dilma) e voltou a envergar a casaca surrada de defensor dos pobres; segundo, acalmou o establishiment ao indicar que sua ida \u00e0s ruas ser\u00e1 para ganhar for\u00e7a para 2018, e n\u00e3o para desestabilizar o &#8220;novo&#8221; governo do condom\u00ednio e, muito menos, para p\u00f4r em risco a hegemonia (ou seja, Lula mostrou que n\u00e3o vai abandonar o bloco de poder ao qual aderiu em 2002: o bloco \u00e9 o mesmo, apenas muda, talvez momentaneamente, o protagonista de turno).<\/p>\n<p>Sem Lula, sem o PT, sem os empres\u00e1rios, sem discernimento para entender onde est\u00e1 metida, sem la\u00e7os com o eleitorado e cheia de pedras t\u00e9cnicas pelo caminho, onde Dilma encontrar\u00e1 apoio para prosseguir? E a que, e a quem, serviria essa continua\u00e7\u00e3o, uma vez que seu governo j\u00e1 acaba de ser totalmente <em>sarneyzado<\/em> e, nem assim, o p-MDB se satisfez, pois seu racha parece requerer um passo adicional?<\/p>\n<p>E ainda haver\u00e1 quem atribuir\u00e1 a queda de Dilma ao &#8220;colapso&#8221; da economia, supostamente provocado por ela&#8230; A incapacidade dela n\u00e3o teria for\u00e7as para tanto.<\/p>\n<p><em><strong>Notas:<\/strong><\/em><\/p>\n<p><strong>&#8211; *<\/strong> Em <a title=\"2014 precede 2010\" href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=34\">artigo <\/a>que enviei a amigos e publiquei, em 2009, no site do chamado Movimento Marina Silva (\u00e9, leitor, a vida de quem tem esperan\u00e7as \u00e9 dura &#8212; mas advirto que logo adiante rompi com os auto-intitulados coordenadores do site, por escrito e publicamente), no tal artigo, entre outras coisas, eu disse que:<\/p>\n<blockquote><p>Esse arranjo, a um s\u00f3 tempo autorit\u00e1rio e popular, tem levado alguns cr\u00edticos a dizer que Lula repete Putin, o todo poderoso ex-presidente da R\u00fassia. Embora a hist\u00f3ria pol\u00edtica das duas sociedades se preste cada vez mais a compara\u00e7\u00f5es iluminadoras (escravid\u00e3o at\u00e9 a segunda metade do s\u00e9culo XIX, tentativa autocr\u00e1tica para sair do atraso, populismo presidencialista, oligarquiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica corrupta, etc), Putin imp\u00f4s Medvedev com duas diferen\u00e7as fundamentais: primeiro, a condi\u00e7\u00e3o expl\u00edcita de que o pr\u00f3prio Putin continuaria em cena, e em primeiro plano, agora na figura de primeiro-ministro fortalecido com poderes subtra\u00eddos da presid\u00eancia; segundo, uma maioria governista quase p\u00e9trea, sem contraste, no legislativo russo. Ou seja, como j\u00e1 n\u00e3o vai estar l\u00e1, Lula arma para o Brasil experimento ainda mais prec\u00e1rio do ponto de vista da rotina institucional: se entregar a faixa presidencial a quem deseja, Lula abrir\u00e1 a caixa de Pandora onde espremeu o PMDB e a burocracia petista \u2013 que v\u00eam aceitando a compress\u00e3o da mola e a tudo suportam no antegozo de que o dia de amanh\u00e3 lhes pertence \u2013 mergulhando o pa\u00eds num v\u00f3rtice que engolir\u00e1 o pr\u00f3prio Lula.<\/p><\/blockquote>\n<p>O fato de que, seis anos depois, o erro que engoliu Lula fique estampado nessa ida majest\u00e1tica de Temer \u00e0 terra onde Putin ainda reina soberano, e reina pelas raz\u00f5es que sumariei no par\u00e1grafo citado acima e, ainda por cima, a despeito de a R\u00fassia estar h\u00e1 tempos na mesma condi\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria de &#8220;grau de investimento&#8221; para a qual o Brasil sob Dilma acaba de ser rebaixado; s\u00e3o aspectos que desenham uma ilustra\u00e7\u00e3o t\u00e3o ir\u00f4nica quanto precisa do que foi antevisto, reunindo \u00e0 materializa\u00e7\u00e3o do desarranjo anunciado o que h\u00e1 de fajutice nela.<\/p>\n<p><strong>&#8211; **<\/strong> N\u00e3o entendeu? Explico: H\u00e9lio Bicudo foi figura central na comiss\u00e3o de \u00e9tica do PT que, em 1993, examinou as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o feitas contra Lula pelo digno e corajoso Paulo de Tarso Venceslau, ent\u00e3o secret\u00e1rio na prefeitura petista de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos-SP. Naquela altura, ficou claro para qualquer um que n\u00e3o tivesse nascido ontem que o caso Lubeca, de 1989, n\u00e3o fora isolado. N\u00e3o obstante o incr\u00edvel depoimento de Lula \u00e0 comiss\u00e3o (por si mesmo uma pe\u00e7a muuuiiito instrutiva), e as evid\u00eancias de que Paulo de Tarso n\u00e3o mentia, o denunciante acabou expulso do PT, numa decis\u00e3o pol\u00edtica ao arrepio das evid\u00eancias &#8220;jur\u00eddicas&#8221; a que chegara a comiss\u00e3o, onde tamb\u00e9m estava assentado o hoje ministro Eduardo Cardozo, o mesmo que havia se indisposto com Lula no caso Lubeca, pois Cardozo era secret\u00e1rio da prefeita Erundina, em 1989, quando ela barrou aquela maracutaia. Pois bem, assim como em 1993 H\u00e9lio Bicudo se aquietou na <em>conveni\u00eancia pol\u00edtica<\/em> e ficou no PT mesmo atropelado como jurisconsulto e diante de uma injusti\u00e7a flagrante, tendo at\u00e9 sido candidato pelo partido depois que estava mais do que claro que o PT se transformara numa m\u00e1quina de tomar poder para fazer dinheiro (sem participa\u00e7\u00e3o de Bicudo nos malfeitos, fique bem claro), tamb\u00e9m agora ele adere \u00e0 <em>conveni\u00eancia pol\u00edtica<\/em> do &#8220;fora Dilma&#8221;, que se d\u00e1 ao arrepio da t\u00e9cnica jur\u00eddica, pois n\u00e3o h\u00e1, at\u00e9 aqui, nenhuma evid\u00eancia de que a presidente tenha cometido crime.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Fica o Registro:<\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8212; Eduardo Cunha est\u00e1 numa <a title=\"O RABO ABANA O CACHORRO \u2014 2 de 2\" href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=1953\">situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil<\/a>,<\/strong> da qual depende, em algum grau, a sorte de Dilma: se ele tocar o impeachment na C\u00e2mara, abrindo caminho para um governo Temer, o novo presidente poder\u00e1 usar seu poder para esmaga-lo, valendo-se, \u00e9 claro, da Lava Jato. Por outro lado, se Cunha embarreirar o impeachment para segurar a f\u00faria de Temer contra si, corre o risco de contrariar \u00a0seus parceiros de profiss\u00e3o, parte deles ansiando por mais acesso ao butim fornecido pelo executivo. De modo que a <em>sarneyza\u00e7\u00e3o<\/em> do governo Dilma pode pender para realavancar Cunha, mas sem trair completamente Temer, virando ela pr\u00f3pria o fiel da balan\u00e7a da disputa interna do p-MDB. \u00c9 um cen\u00e1rio pouco prov\u00e1vel, mas n\u00e3o imposs\u00edvel, dada a desmoraliza\u00e7\u00e3o de PSDB e PT. Seja como for, a essa altura j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 vantagem pol\u00edtica na perman\u00eancia de Dilma para quem se mant\u00e9m na luta contra a desigualdade &#8212; vamos assistir ao desenrolar dos acontecimentos que, assim, ser\u00e3o, de fato, meros\u00a0<em>acontecimentos.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Novaes, 13 de setembro de 2015 &nbsp; Venho insistindo que a crise econ\u00f4mica \u00e9 real e a &#8220;crise&#8221; pol\u00edtica, fajuta, entendimento que \u00e9 o oposto da imensa maioria dos comentadores, que t\u00eam nutrido a desorienta\u00e7\u00e3o quase geral propagando dois equ\u00edvocos: o de que o pa\u00eds precisa de um &#8220;novo bloco de poder&#8221;, ou seja, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1338,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15,4,2],"tags":[],"class_list":["post-1993","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-a-crise-e-a-crise","category-eleicoes-de-2014","category-textos-mais-antigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1993","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1338"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1993"}],"version-history":[{"count":20,"href":"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1993\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2013,"href":"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1993\/revisions\/2013"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1993"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1993"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1993"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}