{"id":28,"date":"2013-08-21T18:24:09","date_gmt":"2013-08-21T18:24:09","guid":{"rendered":"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=28"},"modified":"2013-09-08T19:14:37","modified_gmt":"2013-09-08T19:14:37","slug":"mais-poder-ao-eleitor-eleitor-e-telespectador-sao-a-mesma-pessoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=28","title":{"rendered":"MAIS PODER AO ELEITOR &#8211; eleitor e telespectador s\u00e3o a mesma pessoa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\" align=\"right\"><span style=\"line-height: 1.714285714; font-size: 1rem;\">Carlos Novaes, Abril de 2011<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><span style=\"line-height: 1.714285714; font-size: 1rem;\">O principal problema a enfrentar em nosso sistema pol\u00edtico \u00e9 sua autonomia. Ou seja, o mundo pol\u00edtico, em que atuam os pol\u00edticos, est\u00e1 como que desligado do \u201cmundo da vida\u201d, em que vive o povo. Essa separa\u00e7\u00e3o permite, de um lado, que os males se acumulem a ponto de a corrup\u00e7\u00e3o virar rotina, e, de outro lado, essa autonomia empurra o cidad\u00e3o para a indiferen\u00e7a e, em seguida, para a desesperan\u00e7a. Como voltar a conectar a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica institucional com o \u201cmundo da vida\u201d, atrav\u00e9s de uma verdadeira <\/span><i style=\"line-height: 1.714285714; font-size: 1rem;\">representa\u00e7\u00e3o<\/i><span style=\"line-height: 1.714285714; font-size: 1rem;\">? Como extinguir, ou mitigar, a autonomia do mundo pol\u00edtico?<\/span><\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, acabar com a possibilidade da reelei\u00e7\u00e3o para o legislativo. Com o fim da pol\u00edtica como profiss\u00e3o ter\u00edamos a volta da pol\u00edtica como representa\u00e7\u00e3o. Representar \u00e9 estar <i>no lugar de<\/i>, e para estar <i>no lugar de<\/i> \u00e9 necess\u00e1rio ter liga\u00e7\u00e3o efetiva com os representados, atributo que se perde na rotiniza\u00e7\u00e3o da carreira pol\u00edtica, facilitadora da corrup\u00e7\u00e3o, que leva o pol\u00edtico a se concentrar nos pr\u00f3prios interesses. Ao ter de manter la\u00e7os com a profiss\u00e3o de origem, que lhe prov\u00ea a vida e para onde ter\u00e1 de voltar, o representante se v\u00ea obrigado a uma outra pr\u00e1tica pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 em esperar pelos pol\u00edticos enquanto tal, pois eles est\u00e3o impedidos at\u00e9 mesmo de enxergar o problema. A legenda b\u00e1sica do pol\u00edtico m\u00e9dio ser\u00e1 sempre: \u201cpreciso me reeleger e, se h\u00e1 problemas, corrijamos o comportamento do povo\u201d. Ora, nossa aposta tem de ser no contr\u00e1rio. Apostar todas as fichas nos indiv\u00edduos que d\u00e3o sentido ao <i>povo<\/i>, \u00fanico e real protagonista do que quer que vejamos de bom em nossa hist\u00f3ria (mais recente ou ultra-remota que seja).<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode crer em mudan\u00e7as que, para darem certo, tenham de contar com o engajamento virtuoso dos que hoje t\u00eam uma conduta viciosa. Mudan\u00e7a \u00e9 aquela que independa da &#8220;virtude&#8221; do pol\u00edtico, e aposte no eleitor, pois um diagn\u00f3stico adequado dos males a serem superados em nosso sistema pol\u00edtico \u00e9, em si mesmo, um combate \u00e0s id\u00e9ias desfavor\u00e1veis sobre o eleitor brasileiro. A maior parte dos argumentos em prol da mudan\u00e7a do modelo eleitoral \u00e9 varia\u00e7\u00e3o do velho \u201co povo n\u00e3o sabe votar\u201d \u2013 logo, \u00e9 preciso empurra-lo a votar de outro modo. O desafio \u00e9 outro: <i>s\u00e3o os pol\u00edticos que t\u00eam de ser empurrados a uma outra pr\u00e1tica, n\u00e3o o eleitor<\/i>.<\/p>\n<p><em>Mais de 20 anos debru\u00e7ado sobre elei\u00e7\u00f5es e cerca de 15 anos de trabalho em televis\u00e3o, medindo audi\u00eancia, fazendo testes de programas, avaliando apresentadores, telenovelas, telejornais, miniss\u00e9ries e infantis, para TVs Comerciais,\u00a0 P\u00fablicas e Governamentais, me permitem entender que al\u00e9m de serem a mesma pessoa, eleitor e telespectador s\u00e3o o mesmo sujeito de prefer\u00eancias, vale dizer, fazem suas escolhas sob formato de estrutura muito parecida.<\/em><\/p>\n<p>De uma maneira geral, telespectadores e eleitores t\u00eam uma primeira prefer\u00eancia e, dela, seguem-se outras. H\u00e1 um apresentador preferido, mas n\u00e3o significa que n\u00e3o haja um outro. Ou ainda, entre uma novela preferida e o telejornal em um dia de not\u00edcia quente, o telespectador ter\u00e1 de fazer uma escolha entre prefer\u00eancias. Com o eleitor se d\u00e1 o mesmo.<\/p>\n<p>Tal como na rotina do gosto do telespectador, o eleitor tamb\u00e9m tem uma prefer\u00eancia rotinizada, como se pode observar estudando em detalhes as <i>prefer\u00eancias havidas<\/i> (ou seja, os resultados de elei\u00e7\u00f5es passadas). A hist\u00f3ria escrita nas urnas mostra que levar a mudar o voto \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil quanto levar a mudar de canal. No caso do eleitor, \u00e9 dif\u00edcil leva-lo a mudar porque ele aju\u00edza tanto a escolha, pondera tanto, que uma vez ela feita segue nela por muitas elei\u00e7\u00f5es \u2013 salvo acontecimentos extraordin\u00e1rios.\u00a0 H\u00e1 uma parcela minorit\u00e1ria mais aberta \u00e0 mudan\u00e7a, ao experimento, e \u00e9 ela que escreve as primeiras linhas de uma nova narrativa, que pode prosperar ou n\u00e3o. O voto em <a title=\"Marina atrapalha Lula em 2010\" href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=34\">Marina Silva em 2010<\/a> foi dado por parte desse contingente, por exemplo.<\/p>\n<p>Adotar o voto impessoal em Lista Fechada para eleger os nossos representantes n\u00e3o vai nos ajudar a diminuir a autonomia do mundo pol\u00edtico, valorizando o \u201cmundo da vida\u201d porque:<\/p>\n<ol>\n<li>a lista fechada vai aumentar a concentra\u00e7\u00e3o de poderes nas figuras que hoje est\u00e3o na ponta da pir\u00e2mide da autonomia: os chefes partid\u00e1rios;<\/li>\n<li>a lista fechada vai retirar do eleitor justamente o v\u00ednculo entre representante e \u201cmundo da vida\u201d, isto \u00e9, o v\u00ednculo (mesmo vic\u00e1rio como \u00e9 hoje) entre eleitor e candidato\/eleito;<\/li>\n<li>a lista fechada vai retirar do eleitor o instrumento eleitoral que lhe resta para criar algum tipo de incerteza para esse sistema pol\u00edtico oligarquizado.<\/li>\n<\/ol>\n<p>O que fazer?<\/p>\n<p>Proponho <strong><span style=\"text-decoration: underline;\">radicalizar o que j\u00e1 temos de melhor: o voto proporcional em lista aberta, que aposta todas as fichas no ju\u00edzo do eleitor<\/span><\/strong>.<\/p>\n<p>1. Cada eleitor teria n\u00e3o Um, mas <strong>tr\u00eas votos<\/strong> para Deputado e Vereador.<\/p>\n<p>2. Teria de votar em nomes de um <strong>mesmo partido<\/strong>.<\/p>\n<p>3. Os vencedores seriam os mais votados segundo a <strong>soma de TODOS os votos recebidos<\/strong>, n\u00e3o importando se o voto recebido foi o primeiro, o segundo ou o terceiro.<\/p>\n<p>Raz\u00f5es para esse modelo alternativo:<\/p>\n<p>1. O Eleitor, assim como o Telespectador tem uma primeira prefer\u00eancia e, ent\u00e3o, seguem-se outras;<\/p>\n<p>2. Em geral, segundo o p\u00fablico m\u00e9dio, a primeira prefer\u00eancia \u00e9 a do mundo dos AFETOS, e resulta da inser\u00e7\u00e3o acr\u00edtica no mundo, com alto engajamento afetivo e baixo engajamento cognitivo;<\/p>\n<p>3. As prefer\u00eancias seguintes distanciam-se dos afetos, e aproximam-se do balan\u00e7o mais racional da intera\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>4. \u00c9 essa estrutura que permite explorar as diferen\u00e7as e dist\u00e2ncias entre a TV que temos, a TV que queremos e a TV que dever\u00edamos ter.<\/p>\n<p>5. Pois bem, o eleitor poderia, democraticamente, dar o primeiro voto para a celebridade ou o ilusionista do momento \u2013 n\u00e3o h\u00e1 porque dar tudo por perdido nessa escolha;<\/p>\n<p>6. O erro esta em dar a ele, ELEITOR, apenas UMA oportunidade de realizar suas prefer\u00eancias;<\/p>\n<p>7. Os dois votos seguintes dariam a oportunidade de o eleitor estimular outras \u00e1reas do seu SER SOCIETAL, de equilibrar sua escolha, exercendo prefer\u00eancias que tamb\u00e9m tem e compartilha com qualquer um de n\u00f3s;<\/p>\n<p>8. Esse mecanismo poderia atenuar o &#8220;efeito celebridade&#8221;, obrigando o puxador de voto n\u00e3o s\u00f3 a afunilar o voto em si, mas, ao faz\u00ea-lo, dispersar sua vantagem pela concatena\u00e7\u00e3o <i><span style=\"text-decoration: underline;\">n\u00e3o antecip\u00e1vel<\/span><\/i> das segundas e terceiras prefer\u00eancias dos eleitores;<\/p>\n<p>9) Trabalho com a hip\u00f3tese adicional de que, em suas campanhas, os candidatos seriam levados a se apresentarem em trios, t\u00e3o mais atraentes\/rent\u00e1veis qu\u00e3o mais diversificados (celebridade+pensador+moralista), com semelhan\u00e7as transversas como as que se tem, hoje, nas dobradinhas estadual-federal &#8212; que ora t\u00eam \u00eaxito, ora n\u00e3o o t\u00eam), num modelo que ajudaria a consolidar o partido (voto individual com fei\u00e7\u00e3o de lista);<\/p>\n<p>10) Al\u00e9m de tudo, esse arranjo tem a vantagem de dialogar com nossa cultura pol\u00edtica, ao inv\u00e9s de pretender melhor\u00e1-la a golpes de martelo de engenheiros institucionais t\u00e3o inconformados quanto apressados (quando n\u00e3o mal intencionados).<\/p>\n<p>Se combinarmos a essa provid\u00eancia aquela que impede a reelei\u00e7\u00e3o para os legislativos, teremos dado um passo resoluto para diminuir a autonomia do mundo pol\u00edtico, amarrando-o mais ao \u201cmundo da vida\u201d, que queremos ver realmente representado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Novaes, Abril de 2011 O principal problema a enfrentar em nosso sistema pol\u00edtico \u00e9 sua autonomia. 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