{"id":5352,"date":"2020-06-26T17:24:05","date_gmt":"2020-06-26T20:24:05","guid":{"rendered":"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=5352"},"modified":"2020-06-29T18:55:29","modified_gmt":"2020-06-29T21:55:29","slug":"a-besta-se-ajusta-ao-velho-normal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=5352","title":{"rendered":"A BESTA SE AJUSTA AO VELHO NORMAL"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Carlos Novaes, 26 de junho de 2020<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Com acr\u00e9scimo em 28\/06, em <strong>Fica o Registro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o entre adotar o modelo padr\u00e3o proposto pela ci\u00eancia para o combate a pandemias e ter um projeto ditatorial. Pelo contr\u00e1rio: a ado\u00e7\u00e3o do modelo padr\u00e3o teria permitido a Bolsonaro fazer uso das FFAA em a\u00e7\u00f5es de GLO de modo justificado, legal e em conson\u00e2ncia com os temores e, at\u00e9, expectativas da maioria da sociedade. N\u00e3o h\u00e1 como sustentar a ideia de que Bolsonaro foi capaz de antever o estrago da pandemia e, ao mesmo tempo, encarou esse estrago como vantajoso para si justamente se confinasse o governo e as FFAA numa atitude negacionista, como quer o prof. Marcos Nobre, para quem Bolsonaro optou deliberadamente pelo caos apenas para evitar uma sa\u00edda governamental \u201cnormal\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, o que haveria de \u201cnormal\u201d (no sentido anti-ditatorial de Nobre) numa mobiliza\u00e7\u00e3o geral de tropas para fazer valer o isolamento social com liberdade or\u00e7ament\u00e1ria ao abrigo da lei? Teria sido, no m\u00ednimo, uma extravag\u00e2ncia com um aprendizado valioso para qualquer aspirante a ditador \u2013 ainda mais se, como <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=R1neN5GxV0c\">Nobre imagina<\/a>, Bolsonaro tivesse um elaborado plano incrementalista para ser implementado no curso de dois mandatos: no primeiro criaria as condi\u00e7\u00f5es e no segundo implementaria seu projeto ditatorial. Para nossa sorte, l\u00e1 no in\u00edcio Bolsonaro n\u00e3o viu a pandemia como uma oportunidade para avan\u00e7ar com seu projeto ditatorial (qualquer que ele fosse). Constatar essa limita\u00e7\u00e3o cognitiva em nada despolitiza as escolhas de Bolsonaro, antes pelo contr\u00e1rio, estou a explorar as conseq\u00fc\u00eancias pol\u00edticas da estupidez, ou seja, politizando-a, at\u00e9 porque esse erro de c\u00e1lculo tamb\u00e9m deve algo \u00e0 mera vontade pol\u00edtica de n\u00e3o parecer um maria-vai-com-as-outras, por contraste com os pol\u00edticos rivais, que adotaram o modelo padr\u00e3o de combate \u00e0 pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde esse erro cavalar cometido no in\u00edcio, Bolsonaro, marionete que \u00e9, veio dan\u00e7ando ao ritmo da crise, n\u00e3o liderando sequer a sua base. Ao avaliar errado a pandemia, Bolsonaro perdeu qualquer chance de oferecer seu projeto ditatorial como sa\u00edda para a <a href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=3622\">crise de legitima\u00e7\u00e3o<\/a> do Estado de Direito Autorit\u00e1rio. Pelo contr\u00e1rio, mergulhou nessa crise e, agora, caminha para um de dois resultados, ambos amarrados \u00e0 l\u00f3gica da luta de fac\u00e7\u00f5es estatais: ou sofrer\u00e1 impeachment, legitimando a luta de fac\u00e7\u00f5es para um nova rodada de p\u00f5e-e-tira presidente; ou, como vai ficando mais prov\u00e1vel, realizar\u00e1 um governo normal, servindo \u00e0s fac\u00e7\u00f5es, especialmente \u00e0s expectativas delas por altern\u00e2ncia pelo privil\u00e9gio de ocupar o p\u00f3lo din\u00e2mico do <em>exerc\u00edcio faccioso dos poderes institucionais<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Apresentarei a seguir a an\u00e1lise da\nconjuntura recente dividindo-a em tr\u00eas fases, distinguindo, em cada uma delas,\na din\u00e2mica da sociedade da din\u00e2mica das fac\u00e7\u00f5es estatais, din\u00e2micas que, por\nsua vez, tamb\u00e9m conhecem segmenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FASE 1 &#8211; Desprovido da instru\u00e7\u00e3o e do equil\u00edbrio emocional necess\u00e1rios<\/strong> nessas horas, diante da pandemia Bolsonaro n\u00e3o soube fazer a escolha pelo menor risco e, sem o saber, preferiu ir para o tudo ou nada. No in\u00edcio da crise, ningu\u00e9m sabia como seria. A escolha estava entre seguir o modelo padr\u00e3o proposto pela ci\u00eancia para o combate a pandemias assim ou tentar outro caminho. Escravo do <a href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=5170\">rol ideol\u00f3gico<\/a> que o sustenta, Bolsonaro se limitou ao seguinte racioc\u00ednio, segundo declarou publicamente j\u00e1 nos primeiros dias: \u201co isolamento social acaba com a economia, e se acabar a economia, acaba o meu governo\u201d. Logo, Bolsonaro n\u00e3o escolheu deliberadamente o caos apenas para fazer uma escolha na m\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 da maioria das fac\u00e7\u00f5es estatais (o \u201csistema\u201d, na linguagem bolsonarista). N\u00e3o. Apoiado em seus desejos e cren\u00e7as, apostou no que julgou ser a sa\u00edda que melhor o credenciaria como l\u00edder. E errou. Mas n\u00e3o nos adiantemos tanto.<\/p>\n\n\n\n<p> <strong>1.1.<\/strong> <strong>No \u00e2mbito da sociedade, <\/strong>nessa fase inicial da pandemia houve perplexidade e, depois, crescente ades\u00e3o emocional ao modelo padr\u00e3o de combate, embora sem a devida obedi\u00eancia pr\u00e1tica respectiva. O correto engajamento da m\u00eddia criou uma opini\u00e3o majorit\u00e1ria em torno do modelo padr\u00e3o, mas h\u00e1bitos s\u00e3o dif\u00edceis de mudar. Al\u00e9m disso, a maioria da sociedade identificou o conflito entre o \u201csistema\u201d e Bolsonaro, e parte dela resistia a dar raz\u00e3o ao \u201csistema\u201d, embora n\u00e3o tenha como seu o projeto ditatorial de Bolsonaro (como <a href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=5178\">j\u00e1 vimos<\/a>, a maioria que levou Bolsonaro \u00e0 presid\u00eancia \u00e9 \u201cantissistema\u201d, mas n\u00e3o quer como alternativa uma ditadura). Na m\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 maioria, e tirando vantagem do h\u00e1bito, a minoria bolsonarista adepta da sa\u00edda ditatorial tentou avan\u00e7ar com seu projeto opondo-se ruidosamente ao modelo padr\u00e3o de combate \u00e0 pandemia, tirando vantagem t\u00e1tica do fato de que sua escolha lhe permitia ir \u00e0s ruas com exclusividade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1.2.<\/strong> <strong>No \u00e2mbito das fac\u00e7\u00f5es estatais<\/strong> houve tr\u00eas comportamentos b\u00e1sicos nessa primeira fase:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A.<\/strong> As fac\u00e7\u00f5es estatais <strong>hostis<\/strong> a Bolsonaro t\u00eam experi\u00eancia administrativa e discernimento t\u00e9cnico antigos e, por isso, logo entenderam que a linha do menor risco era seguir o modelo padr\u00e3o no combate \u00e0 pandemia. Foi o que fizeram ali onde est\u00e3o assentadas na burocracia ou s\u00e3o governo eleito e, onde n\u00e3o est\u00e3o, intensificaram a luta de oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>B.<\/strong> As fac\u00e7\u00f5es estatais <strong>dispostas a se venderem<\/strong> para Bolsonaro viram na pandemia uma oportunidade. No \u00e2mbito federal, nem apoiaram, nem criticaram a escolha de Bolsonaro, ficaram \u00e0 espera. Ali onde s\u00e3o governo comportaram-se desigualmente, ora mais, ora menos obedientes ao modelo padr\u00e3o de combate \u00e0 COVID-19, com predomin\u00e2ncia da frouxid\u00e3o, especialmente em governos municipais, como vimos pelo Brasil afora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>C.<\/strong> As fac\u00e7\u00f5es estatais <strong>dentro do governo<\/strong> Bolsonaro conduziram-se obedientes a ele, tendo havido uma e outra diverg\u00eancia, o que resultou, nessa fase, em avan\u00e7o na ocupa\u00e7\u00e3o militar dos postos de mando e em baixa ministerial paisana.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa primeira fase, quando o v\u00edrus ainda dava espa\u00e7o para que Bolsonaro avaliasse a pandemia segundo seus desejos de que fosse uma mera \u201cgripezinha\u201d, quem ditou o ritmo da sua conduta no cargo foi a associa\u00e7\u00e3o entre suas obtusas prefer\u00eancias \u00edntimas e as da sua base dura, que acredita que o \u201csistema\u201d, ao qual se op\u00f5em, \u00e9 um Estado democr\u00e1tico de direito e, por isso, acham que o \u201csistema\u201d e a democracia coincidem \u2013 logo, querem uma ditadura para sanar a crise. Como o outro lado, o dos que aderiram ao modelo padr\u00e3o, majoritariamente tamb\u00e9m sup\u00f5e viver num Estado democr\u00e1tico de direito, abriu-se a oportunidade para que a polariza\u00e7\u00e3o em torno da melhor maneira de combater a pandemia fosse fantasiada de \u201cdemocratas\u201d <em>versus<\/em> \u201cantissistema\u201d. Em outras palavras, a minoria ditatorial permitiu que a pandemia se tornasse o clareador das \u00e1guas contra si mesma: perfilar com a escolha de Bolsonaro diante do novo coronav\u00edrus foi, desde o in\u00edcio, ficar contra a democracia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FASE 2 &#8211; Mais adiante, quando a pandemia cresceu em virul\u00eancia<\/strong>, refor\u00e7ando os temores da maioria da sociedade e dando coes\u00e3o \u00e0s fac\u00e7\u00f5es estatais de oposi\u00e7\u00e3o em sua ades\u00e3o ao modelo padr\u00e3o de combate \u00e0 pandemia (isolamento social e refor\u00e7o das unidades de atendimento), a marionete Bolsonaro, sentindo a fragilidade da sua escolha e embora ainda orientado pela sua base, passou a estender cord\u00f5es para fac\u00e7\u00f5es estatais cujo apoio sempre est\u00e1 \u00e0 venda, haja o que houver, com ou sem pandemia. A dan\u00e7a ficou confusa, pois ao ritmo antissistema sa\u00eddo da base passou a se associar uma forte batida sa\u00edda do cora\u00e7\u00e3o do sistema \u2013 logo, o besta se viu empurrado a alardear o contr\u00e1rio da pr\u00f3pria pr\u00e1tica: de um lado, radicalizou o discurso antissistema (j\u00e1 ent\u00e3o na forma de blefes em declara\u00e7\u00f5es ou em idas a manifesta\u00e7\u00f5es anti-institucionais) e, de outro lado, na m\u00e3o contr\u00e1ria, acelerou a compra do Centr\u00e3o, tomando o rumo de assumir <a href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=5203\">o que sempre foi<\/a>: express\u00e3o de mais um arranjo faccioso no \u00e2mbito do Estado de Direito Autorit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2.1.<\/strong> <strong>No \u00e2mbito da sociedade<\/strong>, a minoria ruidosa que ap\u00f3ia o projeto ditatorial de Bolsonaro, indo na m\u00e3o contr\u00e1ria da pr\u00e1tica recente dele, fazia crescente alarido contra o sistema e pela ditadura, associando essa escolha \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o do modelo padr\u00e3o de combate \u00e0 pandemia. Enquanto isso, a maioria da sociedade havia aderido ao modelo padr\u00e3o e apresentava dois comportamentos b\u00e1sicos: <strong>(i)<\/strong> de um lado, os que haviam sido eleitores de Bolsonaro ficaram contrariados com as escolhas dele diante do novo coronav\u00edrus, mas mantiveram apoio ao que identificavam como o compromisso do besta contra o \u201csistema\u201d \u2013 com mais ou menos \u00eanfase, o apoio ao besta come\u00e7ou a cair. \u00c9 que essa maioria de eleitores de Bolsonaro jamais teve a luta contra o \u201csistema\u201d como uma luta contra a democracia e, por isso, se auto-iludira com a ideia de que os arroubos ditatoriais do besta eram \u201ccoisa do passado\u201d ou mera \u201cforma de falar\u201d \u2013 para esse pessoal, o fundamental era a atitude antissistema e essa motiva\u00e7\u00e3o resistia, mas a ideia de que Bolsonaro a representa passou a claudicar. <strong>(ii)<\/strong> De outro lado, aquela parte da maioria da sociedade que al\u00e9m de aderir ao modelo padr\u00e3o j\u00e1 era oposi\u00e7\u00e3o a Bolsonaro recebeu com perplexidade e temor a renit\u00eancia das escolhas absurdas do besta e a <em>aparente<\/em> mar\u00e9 montante da sua ruidosa base. Perplexidade porque nunca imaginara que a estupidez pudesse chegar a esse ponto; temor porque as escolhas do imbecil pareciam atreladas ao alarido crescente pela ditadura, com invoca\u00e7\u00f5es \u00e0s FFAA e \u00e0s armas. Foram essa perplexidade e esse temor que tornaram plaus\u00edvel para essa parte da sociedade a ideia esdr\u00faxula de que o problema do Brasil \u00e9 a amea\u00e7a de for\u00e7as ditatoriais a um imagin\u00e1rio Estado democr\u00e1tico de direito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;2.2. No \u00e2mbito das fac\u00e7\u00f5es estatais<\/strong>, essa nova fase intensificou as hostilidades e, novamente, foram tr\u00eas os tipos de rea\u00e7\u00e3o b\u00e1sica:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A. <\/strong>As fac\u00e7\u00f5es de<strong> oposi\u00e7\u00e3o<\/strong> passaram a avaliar a polariza\u00e7\u00e3o em torno do modelo padr\u00e3o de combate ao coronav\u00edrus como uma oportunidade de submeter a besta e, at\u00e9, de derrot\u00e1-la. Atuando segundo uma estrat\u00e9gia sem estrategista, passaram a concatenar a\u00e7\u00f5es propriamente institucionais (STF e Congresso) com interven\u00e7\u00f5es na m\u00eddia em apoio a esses procedimentos, mesmo quando claramente facciosos, ou seja, quando contr\u00e1rios ao Estado democr\u00e1tico de direito que alegam defender, tal como j\u00e1 haviam feito no <a href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=1679\">viciado processo<\/a> contra Dilma. Em paralelo, contando com a ajuda do alarido vazio, mas assustador, da minoria ditatorial, com o sentimento oposicionista de boa parte da sociedade, e enxergando a perda de apoio ou, no m\u00ednimo, a vacila\u00e7\u00e3o da maioria daqueles que haviam votado no besta, as fac\u00e7\u00f5es estatais de oposi\u00e7\u00e3o passaram a disseminar, com apoio un\u00edssono da m\u00eddia convencional e de vistosos setores organizados da opini\u00e3o p\u00fablica, a ideia de enfrentar a suposta amea\u00e7a ditatorial com uma frente democr\u00e1tica. No embalo da COVID-19 e dos blefes da besta, o <em>frentismo<\/em> pela volta ao <em>status quo<\/em> anterior a Bolsonaro, ao velho normal, come\u00e7ou a ganhar corpo (muito embora a autointitulada esquerda combine esse conservadorismo com a ideia da moda de que depois da pandemia nada ser\u00e1 como antes&#8230;).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>B.<\/strong> As fac\u00e7\u00f5es propriamente<strong> governamentais<\/strong> cerraram fileiras em torno da besta, tendo sido feitas as defenestra\u00e7\u00f5es adicionais necess\u00e1rias. A essa altura, a ins\u00e2nia da recusa ao modelo padr\u00e3o de combate \u00e0 pandemia j\u00e1 estava clara <em>intra-muros<\/em>, mas al\u00e9m de todas as pontes para um recuo na escolha feita haverem sido queimadas, o alarido da base s\u00f3 crescia, o que obrigava Bolsonaro a figurar de barata tonta, o que muitos, mais uma vez, entenderam equivocadamente como uma sofisticada manifesta\u00e7\u00e3o de um fantasioso \u201cm\u00e9todo do caos\u201d (uma maneira de se pavonear como inteligente \u00e9 atribuir a um imbecil uma genialidade que s\u00f3 voc\u00ea v\u00ea&#8230;). A perda de paisanos levou a um crescimento da fac\u00e7\u00e3o dos milicos no governo, o que deu sinal contraproducente ao p\u00fablico externo, imerso em diferentes est\u00e1gios de desorienta\u00e7\u00e3o: a minoria pr\u00f3-ditadura viu nisso um avan\u00e7o do seu projeto invi\u00e1vel e intensificou o alarido; a maioria da sociedade passou a temer pelo pior. Prato-feito sob medida para o <em>frentismo<\/em>, o que levou \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de manifestos de salva\u00e7\u00e3o nacional surfando no alarmismo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>C. <\/strong>As <strong>fac\u00e7\u00f5es estatais \u00e0 venda<\/strong>, experientes em processos de inviabiliza\u00e7\u00e3o de presidentes, logo enxergaram as vantagens para si na radicaliza\u00e7\u00e3o da din\u00e2mica desencadeada. O pre\u00e7o subiu, e Bolsonaro, o &#8220;autorit\u00e1rio coerente&#8221;, n\u00e3o apenas teve de deslocar ocupantes de cargos, mas recebeu a imposi\u00e7\u00e3o de criar novos minist\u00e9rios, com in\u00fameros novos cargos, contrariando frontalmente as promessas de campanha.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja, leitor, que todo aquele recente alarido em torno da fal\u00e1cia de um golpe se deu nessa transi\u00e7\u00e3o dos cord\u00f5es da marionete: sa\u00edram da base ruidosa para o controle do Centr\u00e3o. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, enquanto a m\u00eddia estava repleta de artigos sobre o apocalipse iminente, a <a href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=5331\">realidade<\/a> ia na <a href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=5331\">dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria<\/a>. Acuado pelo coronav\u00edrus, que precipitou uma alian\u00e7a de for\u00e7as hostis contra suas escolhas, converg\u00eancia que s\u00f3 se daria no contexto da campanha eleitoral de 2022 e, mesmo assim, sem a \u201cunidade\u201d que a conjuntura n\u00e3o-eleitoral <em>quase<\/em> permite, e empurrado pela pr\u00f3pria base na dire\u00e7\u00e3o da inviabilidade (a falta de apoio popular e de dispositivo militar tornam qualquer projeto ditatorial invi\u00e1vel), Bolsonaro ficou aturdido e passou a uma contradi\u00e7\u00e3o flagrante: <strong>berrar<\/strong> aquilo de que o cora\u00e7\u00e3o estava cheio, mas, <a href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=5231\">atolado<\/a>, <strong>fazer<\/strong> o que as hemorroidas mandavam, isto \u00e9, na rua, gritava contra o \u201csistema\u201d; no pal\u00e1cio, sentava no colo acolhedor do Centr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FASE 3 \u2013 Nas duas \u00faltimas semanas, <\/strong>o recuo de Bolsonaro tornou-se not\u00f3rio e ficou claro a toda gente o abatimento da besta, embora ela ainda v\u00e1 provocar muitos danos. A imers\u00e3o na luta de fac\u00e7\u00f5es \u00e9 tal que Bolsonaro chegou a amea\u00e7ar n\u00e3o mais jogar a lavagem di\u00e1ria aos apoiadores que frequentam o chiqueirinho, que passaram a cobr\u00e1-lo. Paralela \u00e0 ruptura com a base extremista, passou a haver insistente agita\u00e7\u00e3o de bandeiras de paz \u201cinstitucional\u201d e houve at\u00e9 a demiss\u00e3o a contragosto de ministro popular entre a minoria ditatorial. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>3.1.<\/strong> <strong>No \u00e2mbito da sociedade, <\/strong>a minoria ruidosa que pede ditadura n\u00e3o apenas vem deixando as ruas, como vai se calando nas redes sociais. Em paralelo, o apoio incerto dos que relevavam os erros de Bolsonaro no combate \u00e0 pandemia e\/ou seus arroubos ditatoriais em nome de um suposto compromisso antissistema tende a ficar em banho-maria: de um lado, torcem o nariz para a ades\u00e3o \u00e0 normalidade, mas v\u00e3o engolindo-a enquanto houver esperan\u00e7a de que seja apenas uma manobra t\u00e1tica e de que o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o v\u00e1 \u201cprosseguir\u201d; de outro, aprovam o recuo no projeto ditatorial que essa ida para o normal representa. No caso da base fan\u00e1tica, seu entusiasmo tende a murchar, pois um deslocamento de insatisfeitos como o que est\u00e1 havendo, al\u00e9m de abater o moral, sempre exerce algum poder de arrasto, fora a oportuna repress\u00e3o desencadeada por fac\u00e7\u00f5es estatais hostis contra os alvos ditatoriais e corruptos mais evidentes. No caso da maioria que j\u00e1 n\u00e3o aprovava o governo, as \u00faltimas semanas registraram uma mobiliza\u00e7\u00e3o de rua inicialmente espont\u00e2nea, contraproducente em raz\u00e3o da pandemia, mas valiosa como registro de disposi\u00e7\u00e3o de luta. Como quer que seja, a maioria que ficou em casa experimentou um al\u00edvio das suas apreens\u00f5es e, at\u00e9, se dando conta do que havia de infundado nelas, coisa que, infelizmente, pode favorecer a estabiliza\u00e7\u00e3o do velho normal, uma vez que o jogo pol\u00edtico das fac\u00e7\u00f5es se concentra na defesa do Estado de Direito Autorit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;3.2. No \u00e2mbito das fac\u00e7\u00f5es estatais<\/strong> tem havido altera\u00e7\u00f5es significativas:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A.<\/strong> As <strong>fac\u00e7\u00f5es governamentais<\/strong> est\u00e3o a sofrer rearranjos, uma vez que as defenestra\u00e7\u00f5es havidas e as ades\u00f5es alcan\u00e7adas n\u00e3o significaram mudan\u00e7as de superf\u00edcie, antes indicam um forte rev\u00e9s no projeto ditatorial em dire\u00e7\u00e3o a uma governan\u00e7a dentro do velho normal (nos padr\u00f5es do Estado de Direito Autorit\u00e1rio): s\u00e3o mudan\u00e7as que at\u00e9 n\u00e3o impedem uma intensifica\u00e7\u00e3o aqui e ali do <em>autorit\u00e1rio<\/em>, mas n\u00e3o permitem abolir o <em>direito<\/em> (como j\u00e1 tem sido o caso em SP e no RJ, com a elei\u00e7\u00e3o de D\u00f3ria e Witsel, por exemplo). No caso de Bolsonaro, s\u00e3o rearranjos cuja \u201cnormalidade\u201d imp\u00f4s uma reconfigura\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a militar, levando os milicos a entregarem postos de mando rec\u00e9m conquistados. Essas conquistas haviam sido obtidas no embalo de um projeto ditatorial sem lastro e, portanto, eram uma exce\u00e7\u00e3o que erodiu \u00e0 medida que Bolsonaro veio sendo empurrado de volta ao velho normal. Todo esse recuo militar veio em marcha cont\u00ednua: militares da ativa mostraram convic\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas contra os objetivos do besta; militares do pal\u00e1cio tiveram de depor \u00e0 PF; Bolsonaro teve de recuar de pretens\u00f5es de remanejar postos na tropa; milicos de pijama entenderam ter de se explicarem publicamente sobre blefes golpistas; ministro militar teve de prestar esclarecimentos no Congresso e, finalmente, a marcha \u00e0 r\u00e9 culmina com a ida para a reserva de general palaciano da ativa que at\u00e9 outro dia blefava dizendo que \u201co outro lado n\u00e3o pode esticar a corda\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>B. <\/strong>As fac\u00e7\u00f5es de<strong> neg\u00f3cio<\/strong> v\u00eam batendo metas de venda. O sucesso dos corretores do Centr\u00e3o gera uma realimenta\u00e7\u00e3o da din\u00e2mica facciosa para o exerc\u00edcio dos poderes institucionais, incrementando o velho normal: de um lado, empurra Bolsonaro mais e mais para um governo dentro da normalidade do Estado de Direito Autorit\u00e1rio; de outro, ati\u00e7a a cobi\u00e7a e atrai para o jogo faccioso propriamente governamental fac\u00e7\u00f5es que estavam refrat\u00e1rias ao governo, como \u00e9 o caso de siglas menores e, at\u00e9 do DEM, para quem a sa\u00edda de Weintraub pode significar a senha para negociar uma ades\u00e3o, ainda que parcial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>C. <\/strong>Enquanto isso, fac\u00e7\u00f5es estatais<strong> rivais<\/strong> ao governo desencadearam um t\u00e3o desej\u00e1vel quanto faccioso cerco \u00e0 delinqu\u00eancia familiar do presidente. <em>Desej\u00e1vel<\/em> porque se trata de um conjunto robusto de evid\u00eancias de associa\u00e7\u00e3o para o crime, indo de <em>fake news<\/em>, passando por <em>rachadinhas<\/em> destinadas a enriquecimento il\u00edcito e, at\u00e9, ao refor\u00e7o \u00e0 mil\u00edcia; <em>faccioso<\/em> porque no que se refere \u00e0 rachadinha n\u00e3o h\u00e1 inocentes entre as fac\u00e7\u00f5es estatais, que s\u00e3o <em>estatais<\/em> precisamente porque se especializaram em lograr financiamento atrav\u00e9s de pr\u00e1ticas corruptas proporcionadas pelo exerc\u00edcio faccioso dos poderes institucionais do Estado de Direito Autorit\u00e1rio, que defendem com tanto empenho. Essa situa\u00e7\u00e3o d\u00e1 cor atual a fen\u00f4meno que h\u00e1 anos descrevi <a href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=3124\">aqui<\/a>: a conflagra\u00e7\u00e3o das fac\u00e7\u00f5es pelo controle do Estado de Direito Autorit\u00e1rio, seja no plano dos hierarcas de carreira, seja na disputa entre os hierarcas pol\u00edticos, fen\u00f4meno desagregador a cuja face positiva chamei de <a href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=3406\">\u201cexce\u00e7\u00e3o bem-vinda\u201d<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o malogro do seu projeto ditatorial, Bolsonaro v\u00ea ruir um sonho de trinta anos, desde que foi eleito para o primeiro dos seus sete mandatos de deputado, em 1990. Ao longo desse tempo, enquanto a maioria da sociedade lutava por democracia, as fac\u00e7\u00f5es estatais refreavam esse \u00edmpeto democr\u00e1tico segundo os seus interesses, processo de trai\u00e7\u00e3o que permitiu o afloramento do que sempre vivera \u00e0 espreita de uma ocasi\u00e3o para tentar trazer a ditadura de volta. Como dito <a href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=4159\">aqui<\/a> faz cerca de dois anos:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00e0 vivacidade de luta democr\u00e1tica da maioria da sociedade contra os sofrimentos impostos pela desigualdade correspondeu o apego crescente das fac\u00e7\u00f5es estatais \u00e0s regalias oferecidas pela mesma desigualdade \u2013 embaixo se lutava por direitos democr\u00e1ticos (todo o rol conhecido: educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, moradia, reconhecimento, emprego, terra, express\u00e3o de si etc.); de cima, com a for\u00e7a, se negavam \u00e0 maioria os seus direitos, e, com a caneta, se defendiam privil\u00e9gios e roubo (sal\u00e1rios acima do teto, aux\u00edlios, bonifica\u00e7\u00f5es, corrup\u00e7\u00e3o, previd\u00eancia pr\u00f3pria etc.). [&#8230;] Fica claro, portanto, que houve nesses 30 anos dois movimentos contrapostos sa\u00eddos da luta contra a ditadura&nbsp;<a href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=2764\">paisano-militar<\/a>: um din\u00e2mico, rico e maravilhoso empuxe por direitos vindo da sociedade (que vai da parada gay aos sem-terra, sem-teto, sem-nada, passando por toda sorte de demandas econ\u00f4micas, comportamentais, sociais, ambientais, \u00e9tnicas e culturais); e uma rea\u00e7\u00e3o resiliente, engenhosa, corrupta e brutal vinda do Estado (que vai do atrelamento da economia ao Mercado \u00e0 matan\u00e7a dos pobres nas favelas, passando por toda sorte de arbitrariedades sa\u00eddas do&nbsp;exerc\u00edcio faccioso dos poderes institucionais, exerc\u00edcio este&nbsp;que tamb\u00e9m serviu para cooptar e degenerar as duas for\u00e7as pol\u00edticas em que a sociedade havia confiado justamente para se contrapor a esse estado de coisas:&nbsp;<a href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=946\">PSDB e PT<\/a>).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O fim do sonho macabro de Bolsonaro dissolve no ar o seu antagonista especular n\u00e3o menos fantasm\u00e1tico, o <a href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=5240\"><em>frentismo<\/em><\/a> rec\u00e9m proposto, que j\u00e1 vai assumindo ares do que sempre foi: um arranjo eleitoreiro destinado a mais uma vez colocar a energia democr\u00e1tica da maioria da sociedade a servi\u00e7o dos interesses das fac\u00e7\u00f5es estatais.<\/p>\n\n\n\n<p>Na contram\u00e3o do que supus quando se deu a estrepitosa sa\u00edda de Moro do governo (as revela\u00e7\u00f5es do ex-juiz n\u00e3o se fizeram graves como a teatralidade do gesto dele sugeriu), toda a reordena\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio pol\u00edtico aponta para uma acomoda\u00e7\u00e3o facciosa, pelo menos at\u00e9 que (e se) as investiga\u00e7\u00f5es em curso cheguem a trazer revela\u00e7\u00f5es e provas que tornem incontorn\u00e1vel uma ofensiva para remover Bolsonaro do cargo. No ritmo atual, o besta pode vir a se segurar no cargo, com o risco de que colha em 2022  dividendos eleitorais das melhorias que a economia n\u00e3o poder\u00e1 deixar de apresentar depois do sufoco havido em 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>28\/6 &#8211;<\/strong> <strong>Fica o Registro:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Resultados de pesquisa DataFolha sobre o apoio \u00e0 democracia entre os brasileiros, publicados ontem (27\/06), no UOL:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; 75% preferem a democracia a qualquer outra forma de governo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; 86% s\u00e3o contra a tortura, mesmo para extrair informa\u00e7\u00f5es de um criminoso.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; 64% s\u00e3o pelo respeito aos direitos humanos para todos, inclusive para criminosos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; 81% consideram uma amea\u00e7a \u00e0 democracia a publica\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; 84% entendem que movimentos sociais devem respeitar a lei e a ordem quando reivindicam.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; 83% entendem que decis\u00f5es importantes devem ser tomadas ouvindo mais aos cidad\u00e3os do que aos t\u00e9cnicos e especialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; 69% s\u00e3o contra prender pessoas sem ordem de um juiz.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; 78% entendem que a ditadura\npaisano-militar foi&#8230; surpresaaa: uma ditadura!<\/p>\n\n\n\n<p>Esses n\u00fameros ilustram a explica\u00e7\u00e3o para o fato de Bolsonaro ter ficado falando sozinho na atribulada e barulhenta &#8220;tentativa&#8221; recente de marchar na dire\u00e7\u00e3o do seu projeto ditatorial invi\u00e1vel, como exploramos acima. O compromisso da maioria com a democracia deixa sem lastro o \u00e2nimo ditatorial das fac\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias que o <a href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=3017\">Estado de Direito Autorit\u00e1rio<\/a> herdou dos dispositivos militares do Estado Ditatorial com a anistia que livrou de puni\u00e7\u00e3o a assassinos e torturadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dessa ordem de id\u00e9ias e\ndesses n\u00fameros, as perguntas s\u00e3o: para que frente? A quem serve o <em>frentismo<\/em>?<\/p>\n\n\n\n<p>Contando com um apoio desses, a democracia n\u00e3o precisa de frente para defend\u00ea-la e o <em>frentismo<\/em>, queira ou n\u00e3o, &nbsp;est\u00e1 a servi\u00e7o de, mais uma vez, transferir para as fac\u00e7\u00f5es estatais a energia democr\u00e1tica da maioria da sociedade. Cada um dos frentistas quer pavonear-se em defensor do que a sociedade j\u00e1 defende; nenhum deles quer correr os riscos de dizer qual democracia defende e insiste covarde e comodamente que vivemos num Estado democr\u00e1tico de direito. A hora exige dar as costas a esse <a href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=4120\">\u201coportunismo democr\u00e1tico\u201d<\/a> e dizer qual democracia queremos, sendo sup\u00e9rfluo defender as franquias democr\u00e1ticas que j\u00e1 vigem, e vigem porque a maioria da sociedade as quer e garante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Novaes, 26 de junho de 2020 Com acr\u00e9scimo em 28\/06, em Fica o Registro N\u00e3o h\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o entre adotar o modelo padr\u00e3o proposto pela ci\u00eancia para o combate a pandemias e ter um projeto ditatorial. 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