{"id":7366,"date":"2022-10-04T19:49:39","date_gmt":"2022-10-04T22:49:39","guid":{"rendered":"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=7366"},"modified":"2022-11-13T18:44:24","modified_gmt":"2022-11-13T21:44:24","slug":"como-vencer-o-segundo-turno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=7366","title":{"rendered":"COMO VENCER O SEGUNDO TURNO?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Carlos Novaes, 04 de outubro de 2022<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vit\u00f3ria de Bolsonaro seria um desastre para o Brasil e um dano severo para o planeta. Temos de fazer tudo ao nosso alcance para consagrar com uma vit\u00f3ria o bom desempenho de Lula at\u00e9 aqui. Para alcan\u00e7ar esse objetivo \u00e9 necess\u00e1rio compreender o que se passou no primeiro turno. Nas linhas a seguir vou explorar a contraposi\u00e7\u00e3o Lula-Bolsonaro salientando semelhan\u00e7as de <strong><em>forma<\/em><\/strong> que revelam debilidades severas nos <strong><em>conte\u00fados muito diferentes<\/em><\/strong> que os dois representam, e contribuem para esclarecer o empate havido neste primeiro turno.<\/p>\n\n\n\n<p>Entender o que aconteceu neste primeiro turno n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil \u2013 basta ver as \u201can\u00e1lises\u201d que t\u00eam circulado com destaque: a marca central \u00e9 a confus\u00e3o. Mas, sejamos justos, a pr\u00f3pria realidade embaralhou as cartas de um modo nada trivial. Vamos avan\u00e7ar com cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p>O <em><strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=o5mnV-FZxuw&amp;t\">sentimento antissistema<\/a><\/strong><\/em> (a manifesta\u00e7\u00e3o epid\u00e9rmica da <em><a href=\"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=3622\" data-type=\"post\" data-id=\"3622\">crise de legitima\u00e7\u00e3o<\/a><\/em> do <a href=\"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=3737\" data-type=\"post\" data-id=\"3737\">Estado de Direito Autorit\u00e1rio-<strong><em>EDA<\/em><\/strong><\/a>) \u00e9 majorit\u00e1rio na sociedade brasileira. Isso significa que qualquer dos candidatos receber\u00e1 votos de eleitores mais ou menos afetados por ele, pois este sentimento sempre estar\u00e1 entre as motiva\u00e7\u00f5es para o voto, em varia\u00e7\u00f5es de intensidade provocadas pelo n\u00edvel de informa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e, ainda, por grau de instru\u00e7\u00e3o, prefer\u00eancia ideol\u00f3gica, idade, poder aquisitivo, confiss\u00e3o religiosa, local de moradia, g\u00eanero etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso nos leva a uma constata\u00e7\u00e3o fundamental que, por si s\u00f3, permite agarrar a ponta do novelo em que a maioria dos analistas se emaranhou: nesta elei\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio de todas as outras e ao contr\u00e1rio do que \u00e9 senso comum, o candidato que busca a reelei\u00e7\u00e3o tem um discurso cuja base \u00e9 a ideia de <em>mudan\u00e7a<\/em>; enquanto o discurso do candidato da oposi\u00e7\u00e3o tem por base a ideia de <em>conserva\u00e7\u00e3o<\/em>. Bolsonaro se diz acorrentado pelo \u201csistema\u201d e quer mudar essa situa\u00e7\u00e3o para poder fazer mais; Lula se apresenta como aquele que ir\u00e1 conservar a democracia amea\u00e7ada pela mudan\u00e7a que o oponente prop\u00f5e, e quer vencer para repetir o j\u00e1 feito. Essa invers\u00e3o colocou a <em>situa\u00e7\u00e3o<\/em> na ofensiva e a <em>oposi\u00e7\u00e3o<\/em> na defensiva, e isso \u00e9 central para entendermos o que aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta de Bolsonaro \u00e9 falsa, porque ele n\u00e3o \u00e9 antissistema, mas o fato \u00e9 que seu pseudo-arrojo arrastou quase metade do eleitorado, a\u00ed inclu\u00eddos aqueles em quem o sentimento antissistema \u00e9 motiva\u00e7\u00e3o residual; a proposta de Lula \u00e9 sincera e in\u00f3cua, e levou quase metade do eleitorado a deixar de lado a motiva\u00e7\u00e3o antissistema pelo comodismo conservador de esperar dele, Lula, o servi\u00e7o de nos <em>defender<\/em> de Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez que o lulopetismo revestiu sua ades\u00e3o ao Estado de Direito Autorit\u00e1rio-<strong><em>EDA<\/em><\/strong> (\u201csistema\u201d) como \u201c<strong><em>defesa<\/em><\/strong> da democracia\u201d, o bolsonarismo extraiu desse <em>defensismo<\/em> <em>lulopetista<\/em> sua vers\u00e3o mais recente para a coreografia do blefe contra o \u201csistema\u201d. \u00c9 que enquanto Lula defende o que n\u00e3o est\u00e1 em quest\u00e3o (a democracia); Bolsonaro faz a amea\u00e7a fantasiosa correspondente (golpe contra a democracia) \u2013 todo esse faz de conta est\u00e1 amparado em estelionatos ideol\u00f3gicos respectivos e contrapostos numa aut\u00eantica cismog\u00eanese pol\u00edtica: o <em>lulopetismo<\/em> finge para si mesmo que ainda \u00e9 de esquerda; o <em>bolsonarismo<\/em> finge para si mesmo que poderia acabar com a democracia. Todos os demais, ou seja, o eleitorado brasileiro que n\u00e3o faz parte dos n\u00facleos duros respectivos, estamos nos fazendo figurantes dessa encena\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o nos vai levar a lugar nenhum e, por isso mesmo, gera desorienta\u00e7\u00e3o e ajudou a compor esse verdadeiro <strong><em>empate eleitoral<\/em><\/strong> no primeiro turno.<\/p>\n\n\n\n<p>O empate ocorreu porque Bolsonaro teve uma vota\u00e7\u00e3o acima do que se podia supor olhando para as pesquisas (embora isso n\u00e3o signifique que elas tenham errado, pois houve movimenta\u00e7\u00e3o de \u00faltima hora que elas n\u00e3o poderiam ter captado de v\u00e9spera&#8230;). O fato \u00e9 que franjas eleitorais dos eleitorados do Rio e de S\u00e3o Paulo voltaram a correr para Bolsonaro. N\u00e3o \u00e9 razo\u00e1vel supor que esses contingentes que fizeram a diferen\u00e7a correndo para Bolsonaro nas \u00faltimas horas antes do pleito desprezem a democracia, afinal, se fosse assim, eles teriam aderido antes ao fanfarr\u00e3o golpista. Quer dizer, esses contingentes de ades\u00e3o eleitoral tardia estavam em d\u00favida e \u00e9 mais razo\u00e1vel supor o contr\u00e1rio: eles acabaram por aderir a Bolsonaro justamente porque est\u00e3o convencidos de que ele <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=cbJ9MhhY9UM&amp;t\">n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de derrubar a democracia<\/a> e, assim, deram-lhe o voto por uma raz\u00e3o mais profunda: o sentimento antissistema por mudan\u00e7a, que Lula acabou por atrair contra si insistindo na mesmice de reunir todo mundo na foto, ao que se seguiu uma campanha pelo voto \u00fatil com o foco errado.<\/p>\n\n\n\n<p>O foco da campanha pelo voto \u00fatil n\u00e3o se centrou nas qualidades de Lula, mas na avers\u00e3o a Bolsonaro \u2013 um voto \u00fatil negativo, n\u00e3o positivo (ou seja: mais uma vez, uma atitude <em>defensiva<\/em>, com o agravante de trazer de volta \u00e0 lembran\u00e7a o malsucedido <em>\u201cele n\u00e3o\u201d<\/em>). E pior: foi um voto \u00fatil que n\u00e3o exaltou as qualidades comuns entre Lula e Ciro, mas, pelo contr\u00e1rio, ao inv\u00e9s de buscar semelhan\u00e7as, a campanha atacou Ciro como se ele fosse abjeto, exigindo do eleitor n\u00e3o apenas um redirecionamento \u201c\u00fatil\u201d do voto, mas que ele antes rejeitasse justamente a quem preferia! Quer dizer, desprezou-se o significado profundo do voc\u00e1bulo \u201c\u00fatil\u201d aqui, que significa <em>\u201c\u00fatil \u00e0 <strong>causa comum<\/strong>\u201d<\/em>. Tudo se passou como se Ciro tivesse a causa contr\u00e1ria&#8230; Resultado: assim afrontado, o eleitor preferiu fazer voto \u00fatil em Bolsonaro, no que tamb\u00e9m foi ajudado pelas <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=bxVvV448mn8&amp;t\">lament\u00e1veis atitudes de Ciro<\/a> (que n\u00e3o deveriam ter sido exploradas por quem pedia \u201cvoto \u00fatil\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa cegueira ditada pela arrog\u00e2ncia da autointitulada esquerda vem de uma  outra, mais ampla, a qual, infelizmente, p\u00f5e, na <strong><em>forma<\/em><\/strong> (veja bem: na <em>forma<\/em>, n\u00e3o no conte\u00fado) os apoiadores de Lula muito pr\u00f3ximos dos de Bolsonaro. Os apoiadores de Lula chamam de <em>reacion\u00e1rios<\/em>, <em>conservadores<\/em> e\/ou <em>fascistas<\/em> a todos os apoiadores de Bolsonaro; enquanto os apoiadores de Bolsonaro chamam de <em>comunistas<\/em> a todos os apoiadores de Lula. Ambos os lados enxergam como respectivamente impr\u00f3prias essas simplifica\u00e7\u00f5es a respeito de si mesmos, mas nenhum dos dois est\u00e1 disposto a explorar os matizes do campo advers\u00e1rio. Por que estamos dispostos a reconhecer que em apoio a Lula se uniram for\u00e7as plurais, com interesses n\u00e3o apenas diferentes entre si, mas at\u00e9 claramente antag\u00f4nicos; mas n\u00e3o estamos dispostos a examinar que o apoio a Bolsonaro tamb\u00e9m re\u00fane for\u00e7as plurais, que podem at\u00e9 ter interesses n\u00e3o menos antag\u00f4nicos entre si? Essa cegueira comp\u00f5e uma polariza\u00e7\u00e3o desinformada e despolitizante, que cria enormes dificuldades para o necess\u00e1rio tr\u00e2nsito eleitoral \u2013 tal como deixa clara a movimenta\u00e7\u00e3o de \u201cciristas\u201d em favor de Bolsonaro na \u00faltima hora.<\/p>\n\n\n\n<p>Para haver tr\u00e2nsito eleitoral \u00e9 necess\u00e1rio suavizar aspectos mais duros da pr\u00f3pria proposta, mas n\u00e3o a ponto de descaracteriz\u00e1-la para a pr\u00f3pria base fiel, que s\u00f3 \u00e9 fiel justamente na medida em que ainda se v\u00ea contemplada nas prefer\u00eancias que julga inegoci\u00e1veis. Ora, tanto Lula como Bolsonaro fizeram esses movimentos de abertura, com a diferen\u00e7a de que Lula est\u00e1 prisioneiro do <em>defensismo<\/em>, enquanto Bolsonaro explora a conten\u00e7\u00e3o do seu arrojo. Ambos est\u00e3o a propor adiamentos \u00e0s suas respectivas bases-dura. As escolhas de Lula embrulham mais um adiamento com <em>defensismo<\/em>; as atitudes de Bolsonaro mascaram de arrojo contido o adiamento implicado.<\/p>\n\n\n\n<p>A base mais dura de Lula vem aceitado adiamentos desde pelo menos 2002, com a <em>Carta aos Brasileiros<\/em>, e tem aceitado seu l\u00edder promover reiterados rebaixamentos em seu horizonte program\u00e1tico em nome de uma pol\u00edtica de alian\u00e7as cada vez mais ampla, a tudo justificando com base no que chamam de realismo do \u201cjogo democr\u00e1tico\u201d. O problema \u00e9 que essa atitude defensiva acabou por contaminar (at\u00e9 com corrup\u00e7\u00e3o) a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica como tal. Resultado: em 2022 n\u00e3o h\u00e1 nem sombra da motiva\u00e7\u00e3o havida em 2002, e n\u00e3o deixa de ser revelador que a m\u00fasica da campanha seja uma vers\u00e3o reformada (e tola) da m\u00fasica primordial, de quando tudo come\u00e7ou, em 1989, \u00e9poca em que, j\u00e1 em plena democracia, e sob o <strong><em>EDA<\/em><\/strong>, ser petista era ser, sobretudo, antissistema&#8230; justamente o que veio sendo adiado a tal ponto que nossa autointitulada esquerda se fez defensora intransigente do <em>status quo<\/em>, deixando o sentimento antissistema para o <a href=\"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=4889\" data-type=\"post\" data-id=\"4889\">primeiro aventureiro que aparecesse<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A base mais dura de Bolsonaro, por sua vez, acaba de deixar claro que tamb\u00e9m aceita adiamentos, afinal, <em><a href=\"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=7116\" data-type=\"post\" data-id=\"7116\">contrariamente ao que supus<\/a><\/em>, o malogro do golpismo no mais recente 7 de Setembro <em>n\u00e3o levou ao desengajamento <a href=\"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=7211\">que aventei<\/a><\/em>, at\u00e9 pelo contr\u00e1rio: Bolsonaro cresceu. Seus eleitores foram \u00e0s urnas em massa e, dando um passo de obedi\u00eancia para al\u00e9m do 7 de Setembro do <a href=\"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=6057\" data-type=\"post\" data-id=\"6057\">ano passado<\/a>, o fizeram na mais perfeita ordem, mostrando-se todos engajados na coreografia do blefe, que consiste em meter medo aos demais, mas buscando a vit\u00f3ria eleitoral dentro da ordem democr\u00e1tica que o chefe n\u00e3o tem for\u00e7a para derrubar (tanto que ele n\u00e3o disse uma palavra contra a idoneidade das urnas neste primeiro turno&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio do que muitos dizem por a\u00ed, o segundo turno <strong>n\u00e3o \u00e9 outra elei\u00e7\u00e3o<\/strong>. Nem se trata de &#8220;outro jogo&#8221;, nem a campanha &#8220;se inicia do zero&#8221;. Pelo contr\u00e1rio, a mem\u00f3ria do que acaba de se passar \u00e9 determinante: as circunst\u00e2ncias pol\u00edticas e econ\u00f4micas s\u00e3o exatamente as mesmas; o repert\u00f3rio do que est\u00e1 em jogo \u00e9 o mesmo; os personagens secund\u00e1rios s\u00e3o os mesmos; o eleitorado \u00e9 exatamente o mesmo (ainda que quem se absteve no primeiro turno possa votar no segundo, o que configuraria uma mudan\u00e7a de prefer\u00eancia como qualquer outra), a discuss\u00e3o dos temas \u00e9 continua\u00e7\u00e3o da mesma, e, sobretudo, os candidatos que se mant\u00e9m na disputa n\u00e3o poder\u00e3o aparecer transformados em outro neste segundo turno, ainda que possam incluir altera\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se mostrem contradit\u00f3rias com o que fizeram at\u00e9 aqui. Em suma, trata-se, mesmo, de um segundo turno na <strong>mesma elei\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por isso que me dei ao trabalho de escrever este artigo: a campanha de Lula precisa entender suas debilidades e alterar aquelas que podem ser alteradas sem descaracterizar a candidatura. Em minha opini\u00e3o, <em>a chave est\u00e1 no car\u00e1ter <strong>defensivo<\/strong> do discurso do candidato<\/em>: ele repete aborrecidamente, at\u00e9 com os mesmos exemplos e n\u00fameros, que quer defender a democracia, defender seus governos anteriores, defender Dilma, defender sua inoc\u00eancia pessoal, defender os pobres e famintos, defender a Amaz\u00f4nia, defender as estatais, defender a pol\u00edtica profissional&#8230; Falta a Lula um projeto que v\u00e1 al\u00e9m de si mesmo, que v\u00e1 al\u00e9m das trincheiras do <em>status quo<\/em>, que contemple a vontade de mudan\u00e7a que motiva a maioria da sociedade brasileira. Em suma, Lula tem se apresentar neste segundo turno como que descortinando um pa\u00eds poss\u00edvel, que n\u00e3o est\u00e1, <em>nem esteve<\/em> a\u00ed: nem o passado desmotivador que ele pr\u00f3prio tem defendido; nem o horror que Bolsonaro significa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fica o Registro:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; Como prepara\u00e7\u00e3o para debates com Bolsonaro<\/strong>, sugiro que Lula assista ao \u00faltimo debate entre Covas e Maluf no segundo turno da disputa para o governo de SP, em 1998: tal como um Padre de Festa Junina, Maluf foi para cima de Covas com ofensas e insultos e o tucano, com toda calma, sorrindo com um ar maroto, respondeu: <em>&#8220;eu sei o que o senhor veio fazer aqui hoje, veio me arrastar para a sua lama, mas eu n\u00e3o vou&#8221;<\/em>, e olhando para a c\u00e2mera, dirigiu-se ao eleitor dizendo o que ia fazer para melhorar a vida dele.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&#8211; O apoio maci\u00e7o dos &#8220;globais&#8221;, &#8220;ex-globais&#8221;, e dos artistas em geral<\/strong> ao &#8220;voto \u00fatil&#8221; em Lula pode ter ati\u00e7ado alinhamento com Bolsonaro &#8212; as pessoas est\u00e3o fartas de tutela, e o sentimento antissistema, para alguns, acaba englobando tudo que \u00e9 &#8220;padr\u00e3o&#8221; (tipo padr\u00e3o Globo\u2026). H\u00e1, de fato, uma certa arrog\u00e2ncia na forma com que os artistas manifestam publicamente as suas prefer\u00eancias. Ademais, h\u00e1 anos realizei pesquisas profissionais sobre teledramaturgia e constatei que os telespectadores j\u00e1 n\u00e3o se identificavam com personagens que lhes eram apresentados como modelos a serem imitados, preferindo se verem representados tal como eram, isto \u00e9, constatei a decad\u00eancia do esquema de r<em>epresenta\u00e7\u00e3o aspiracional<\/em>, substitu\u00eddo pela din\u00e2mica do <em>reconhecimento <\/em>&#8212; uma recusa a se submeter a padr\u00f5es hier\u00e1rquicos. Esses apoios de artistas, e a import\u00e2ncia dada ao apoio deles, t\u00eam algo de antipaticamente hier\u00e1rquico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Novaes, 04 de outubro de 2022 Uma vit\u00f3ria de Bolsonaro seria um desastre para o Brasil e um dano severo para o planeta. 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