{"id":815,"date":"2014-10-04T18:00:47","date_gmt":"2014-10-04T21:00:47","guid":{"rendered":"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=815"},"modified":"2015-10-26T17:17:16","modified_gmt":"2015-10-26T20:17:16","slug":"ultimas-pesquisas-ultimo-debate-nenhuma-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=815","title":{"rendered":"NENHUMA ESPERAN\u00c7A"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\" align=\"center\"><span style=\"line-height: 1.714285714; font-size: 1rem;\">Carlos Novaes, 4 de outubro de 2014<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Chegamos ao fim do primeiro turno sem que nenhum candidato nos tenha oferecido uma perspectiva de transforma\u00e7\u00e3o, embora o esgotamento do modelo atual esteja claro e reclame um caminho novo. O impasse \u00e9 n\u00edtido, especialmente se levarmos em conta que a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica internacional n\u00e3o voltar\u00e1 t\u00e3o cedo a nos franquear as vias de fluxo favor\u00e1vel que a crise interrompeu, e que foram aproveitadas pelos governos para dobrar a aposta no arranjo incrementalista conservador: oportunidades sem \u00f3bice ao enriquecimento dos de cima, est\u00edmulo ao consumo sem lastro das camadas m\u00e9dias, com diminui\u00e7\u00e3o da pobreza dos que continuam muito l\u00e1 embaixo, equa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o permite enfrentar nem a <i>desigualdade<\/i>, nem suas <i>consequ\u00eancias<\/i>, pois para isso seria necess\u00e1rio se contrapor aos interesses dos muito ricos que nada produzem.<\/p>\n<p>Quando falo de <i>desigualdade<\/i> tenho em mente a disparidade de renda que premia com o sup\u00e9rfluo do sup\u00e9rfluo uma minoria e condena metade da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 pobreza; quando falo em suas <i>consequ\u00eancias<\/i> penso sobretudo naqueles que n\u00e3o sendo pobres nem ricos, se v\u00eaem condenados a pagar os custos da perman\u00eancia da desigualdade na forma de uma vida urbana infeliz, que \u00e9 vivida desorientadoramente como se fosse um caos, quando \u00e9 o resultado mais do que intelig\u00edvel e quantific\u00e1vel de uma conta que n\u00e3o pode fechar: sem uma ordem econ\u00f4mica que impe\u00e7a o luxo e o desperd\u00edcio dos de cima e libere energia para o resto da pir\u00e2mide, n\u00e3o h\u00e1 como diminuir a desigualdade, ali onde ela \u00e9 adversa aos pobres, sem ao mesmo tempo sonegar recursos para enfrentar as dificuldades vividas pelas camadas m\u00e9dias ali onde essas dificuldades s\u00e3o tarefas propriamente p\u00fablicas e refletem outra face da mesma desigualdade: transporte humano, saneamento, infra-estrutura log\u00edstica, etc. Por isso mesmo, a desigualdade n\u00e3o cai e, ainda por cima, a diminui\u00e7\u00e3o da pobreza \u00e9 encarada por boa parte das camadas m\u00e9dias urbanas como algo que se faz \u00e0s suas custas, no que n\u00e3o deixam de ter raz\u00e3o, embora o reproche deva ser remetido na dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0quela para onde elas alienadamente orientam a sua raiva (contra os pobres).<\/p>\n<p>O modelo em que estamos \u00e9 t\u00e3o atrasado que ao inv\u00e9s de enfrentar o &#8220;caos&#8221; urbano atrav\u00e9s de pol\u00edticas p\u00fablicas, os governos que o implementam largaram o espa\u00e7o p\u00fablico como terra de ningu\u00e9m e meteram-se na vida privada das camadas m\u00e9dias, estimulando-as a comprar autom\u00f3veis e bens de consumo onerosos, conduzindo-as a um endividamento tolo, contraproducente e socialmente ruinoso; <em>tolo<\/em> porque, atrav\u00e9s de uma ideologia decadente, mimetiza o consumo ostentat\u00f3rio dos muito ricos, que lhes servem de espelho circense na outra ponta do espectro mals\u00e3o; <em>contraproducente<\/em> porque esse endividamento precoce compromete o progresso dessas mesmas fam\u00edlias; e <em>socialmente ruinoso<\/em> porque n\u00e3o convida essas camadas menos imersas na ignor\u00e2ncia a enfrentarem junto com o poder p\u00fablico os graves entraves propriamente p\u00fablicos \u00e0 melhoria da sua qualidade de vida, sofrimento que carro novo nenhum vai permitir deixar para tr\u00e1s &#8212; ali\u00e1s, muito pelo contr\u00e1rio, como os engarrafamentos deixam claro.<\/p>\n<p>De um lado, as pesquisas que acabam de ser publicadas refletem a prefer\u00eancia do eleitor nessas horas finais que o separam da urna; de outro, o \u00faltimo debate entre os candidatos \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica refletiu os candidatos ao final da trajet\u00f3ria que percorreram. N\u00e3o por acaso, h\u00e1 grande correspond\u00eancia entre as imagens, pois o desempenho dos candidatos provocou no eleitorado uma rea\u00e7\u00e3o que corresponde ao impasse descrito mais acima e que, do ponto de vista propriamente eleitoral, pode ser resumido segundo duas limita\u00e7\u00f5es: primeiro, o eleitor vem h\u00e1 muito prisioneiro de um realismo rebaixado, onde a palavra de ordem \u00e9 tolerar o sofrimento para conservar o pouco que foi obtido na batidinha mixa de um incrementalismo que n\u00e3o desafia a ordem estabelecida; segundo, nenhuma das candidaturas ofereceu uma alternativa a essa situa\u00e7\u00e3o, seja porque postulam t\u00e3o somente a condi\u00e7\u00e3o de protagonistas desse pacto conservador, como \u00e9 o caso de Dilma, A\u00e9cio e Marina, seja porque n\u00e3o foram capazes de dialogar com a inseguran\u00e7a do eleitor ao mesmo tempo em que propunham a mudan\u00e7a, como \u00e9 o caso de Luciana Genro e Eduardo Jorge, cada um a seu modo, como veremos a seguir.<\/p>\n<p><b>Dilma, 40%, 40%, 44%<\/b> &#8211; a candidata aparece solidamente instalada num patamar que parece ser o seu m\u00e1ximo, o que corresponde inteiramente ao seu desempenho no debate: aparou com destreza amestrada os golpes sofridos precisamente porque eles n\u00e3o passaram disso, golpes, troca de chumbo. Nenhum de seus advers\u00e1rios a confrontou com o \u00f3bvio: as perdas e os riscos da absoluta aus\u00eancia de imagina\u00e7\u00e3o dessa sua insist\u00eancia em conservar um modelo cujas evid\u00eancias de fadiga n\u00e3o podem ser escondidas. Mas como seus principais dois advers\u00e1rios querem apenas lhe tirar o lugar, est\u00e3o impedidos de mostrar que n\u00e3o h\u00e1 lugar a ocupar, o desafio \u00e9 convidar a sociedade para um outro lugar. Foi precisamente a condi\u00e7\u00e3o de alvo que deu a Dilma a oportunidade de plantar-se e rebater com o bin\u00f4mio do <i>fiz<\/i> e vou <i>fazer mais<\/i>. A condi\u00e7\u00e3o de alvo foi conveniente porque Dilma n\u00e3o fez um governo aqu\u00e9m dos de Lula por ser menos capaz do que ele, mas porque o modelo conservador, que vem de muito antes, j\u00e1 n\u00e3o pode conviver com as contradi\u00e7\u00f5es que se acumulam, seja na esfera dos assuntos e equipamentos p\u00fablicos, seja na vida privada, especialmente quando os astros internacionais j\u00e1 n\u00e3o se alinham de um modo favor\u00e1vel. Mas para ir al\u00e9m de Dilma, deixando o alvo para tr\u00e1s, seria necess\u00e1rio criticar o modelo e atacar sua fragilidade central: a intocabilidade dos interesses dos muito ricos improdutivos. Ningu\u00e9m se habilitou e, ent\u00e3o, ela chega ao segundo turno para, com novas imagens, repetir tudo de novo e tentar convencer mais alguns de que o mais seguro \u00e9 n\u00e3o trocar a gerente e continuar marchando no p\u00e1tio.<\/p>\n<p><b>A\u00e9cio, 19%, 21%, 26%<\/b> &#8211; Determinado a recuperar para os tucanos o posto de protagonista do modelo que viu escapar para as m\u00e3os do <i>lulopetismo<\/i>, A\u00e9cio fez na campanha e no \u00faltimo debate o que seus antecessores deixaram de fazer: disputou um legado que tamb\u00e9m \u00e9 seu, ainda que sem explorar seu veio mais fecundo, isto \u00e9, a dimens\u00e3o propriamente pol\u00edtica do Real, que mais do que somente um plano de estabiliza\u00e7\u00e3o da moeda, foi, e \u00e9, um m\u00e9todo conservador de pactua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica negociada, atrav\u00e9s do qual se debelou a infla\u00e7\u00e3o, matriz de grande sofrimento para os setores populares, ao mesmo tempo em que se deu estabilidade a um arranjo de parti\u00e7\u00e3o da riqueza que n\u00e3o alterou o fluxo dela para cima. Cegos para as possibilidades de encena\u00e7\u00e3o que esse modelo ofereceu para dar verossimilhan\u00e7a ilus\u00f3ria a um, digamos assim, Real da sa\u00fade, um Real da educa\u00e7\u00e3o, etc, os tucanos desperdi\u00e7aram pot\u00eancia combatendo defeitos supostamente socialistas que os governos petistas jamais tiveram, continuidade que s\u00e3o dos pr\u00f3prios governos tucanos anteriores. A recupera\u00e7\u00e3o de A\u00e9cio nas pesquisas, contra-face da queda final de Marina, mostra que na aus\u00eancia de uma proposta transformadora a disputa foi gradualmente voltando ao <a title=\"MARINA DESCONSTRUIU A SI MESMA\" href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=790\">trilho inicial<\/a>, movimento que restaura a disjuntiva improdutiva e fajuta, que op\u00f5e PT e PSDB como se eles n\u00e3o fossem manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de um mesmo projeto de manuten\u00e7\u00e3o da ordem. Se A\u00e9cio for mesmo ao segundo turno, suas chances n\u00e3o ser\u00e3o pequenas, pois como vimos no seu desempenho no \u00faltimo debate, ele est\u00e1 a altura de canalizar em favor da sua postula\u00e7\u00e3o de ser o pr\u00f3ximo gerente as insatisfa\u00e7\u00f5es com o modelo, que a ignor\u00e2ncia de muitos dos eleitores aporrinhados debita indevidamente na conta da governan\u00e7a da gerente de plant\u00e3o, alvo que convenientemente escamoteia desordem mais profunda.<\/p>\n<p><b>Marina, 30%, 27%, 24%<\/b> &#8211; O desempenho de Marina no debate foi a tradu\u00e7\u00e3o da desorienta\u00e7\u00e3o que marcou a sua campanha: em marcante contraste com A\u00e9cio, as c\u00e2meras a captaram atrapalhada, imprecisa, sem rumo. N\u00e3o poderia ser diferente para quem se deixou arrastar para uma condi\u00e7\u00e3o de postula\u00e7\u00e3o em que s\u00f3 poderia figurar como ne\u00f3fita: a ger\u00eancia retr\u00f3grada de um projeto conservador que, at\u00e9 onde se soubesse, nunca fora seu. Ficou n\u00edtido que brigavam dentro dela duas for\u00e7as: a da floresta, que chamava aos compromissos originais; e a da convers\u00e3o recente, que imp\u00f5e os constrangimentos do que h\u00e1 de imex\u00edvel (esse \u00e9 o termo) em nossa ordem conservadora. No confronto com Luciana Genro, foi triste ver Marina rogando por uma semelhan\u00e7a program\u00e1tica que quem leu os dois programas n\u00e3o seria capaz de encontrar; na esgrima com Dilma e A\u00e9cio, foi frustrante v\u00ea-la ora se limitar a um toma-l\u00e1-d\u00e1-c\u00e1 atrapalhado de mensal\u00f5es ou subalternos corruptos (e, como em 2010, sem dar resposta \u00e0 altura); ora deixar de descortinar uma orienta\u00e7\u00e3o nova para o enfrentamento da <a title=\"PROGRAMA DE MARINA N\u00c3O ENFRENTA A DESIGUALDADE\" href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=713\">desigualdade <\/a>ou para projetos como o pr\u00e9-sal ou fontes de energia renov\u00e1vel. Marina gastou o seu tempo repetindo-se, refugiando-se em atender exata e literalmente \u00e0s perguntas que lhe foram feitas, n\u00e3o aproveitando, nem criando, nenhum gancho para, afinal, dizer a que veio. Se n\u00e3o for ao segundo turno, como \u00e9 o mais prov\u00e1vel, Marina estar\u00e1 colhendo o resultado t\u00f3xico das sementes daninhas que plantou com financiamento e adubo dos reacion\u00e1rios; se l\u00e1 chegar, ir\u00e1 enfrentar Dilma em condi\u00e7\u00e3o ainda pior do que a de A\u00e9cio, pois enquanto ele reivindica retomar a condu\u00e7\u00e3o de um projeto de pactua\u00e7\u00e3o conservadora que tamb\u00e9m \u00e9 seu, Marina se apresenta como um retrocesso, de que d\u00e3o exemplo propostas como a que neutraliza o que ainda inibe a avidez dos de cima (independ\u00eancia legal do Banco Central), ou a que aumenta a desenvoltura danosa do sistema pol\u00edtico (<a title=\"Uma REFORMA POL\u00cdTICA  r e a c i o n \u00e1 r i a\" href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=580\">mandatos de cinco anos<\/a>, com unifica\u00e7\u00e3o do calend\u00e1rio eleitoral).<\/p>\n<p><b>Luciana Genro &#8211; 1%<\/b> &#8211; O desempenho de Luciana no \u00faltimo debate foi o melhor que ela poderia fazer no \u00e2mbito daquelas limita\u00e7\u00f5es que ela escolheu por si mesma, e daquelas que lhe imp\u00f5e o pr\u00f3prio projeto: de um lado, encarou como tarefa enfrentar aos advers\u00e1rios, n\u00e3o aquilo que eles representam, desperdi\u00e7ando parte da pot\u00eancia de sua valentia l\u00facida; de outro, refugiou-se em temas de direitos humanos, uma vez que, assim como o enfrentamento da espinhosa quest\u00e3o da desigualdade exige um projeto para combat\u00ea-la, tamb\u00e9m a nossa crise de representa\u00e7\u00e3o requer mais do que uma altera\u00e7\u00e3o no modo de apresentar candidatos ou apelos vagos a uma participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, cujo anseio est\u00e1 longe de ter sido demonstrado, <a title=\"Uma REFORMA POL\u00cdTICA  r e a c i o n \u00e1 r i a\" href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=580\">equ\u00edvoco <\/a>que ela partilha com Marina. As cordas de um projeto revolucion\u00e1rio inatual j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o propriamente a amarrar Luciana, mas elas ret\u00e9m nossa guerreira num emaranhado do qual ela ainda n\u00e3o logrou livrar-se, estando, assim, liberta, mas impedida de ganhar o mar alto que uma proposta transformadora requer. O principal limitador ao \u00eaxito eleitoral de Luciana (<em>\u00eaxito<\/em>, n\u00e3o vit\u00f3ria, o que j\u00e1 seria pedir demais) est\u00e1 na vis\u00e3o geral traduzida em seu programa de governo: n\u00e3o se faz ali distin\u00e7\u00f5es de grau entre os advers\u00e1rios respons\u00e1veis pela ordem reinante, o que permitiria pensar em alian\u00e7as contra esse ou aquele setor. Luciana, embora sem arrastar a mesma cadeia conceitual, atravessou a elei\u00e7\u00e3o olhando o cen\u00e1rio do mesmo ponto de vista que Z\u00e9 Maria e Rui Pimenta partilham: o combate n\u00e3o \u00e9 ao incrementalismo conservador, mas \u00e0 pr\u00f3pria ordem do capital. N\u00e3o sabem a <a title=\"QUANDO A MEM\u00d3RIA MAIS ENTRAVA DO QUE INFORMA O FLUXO\" href=\"http:\/\/novaes-c-politico.com.br\/?p=837\">diferen\u00e7a entre sofrimento intoler\u00e1vel e sofrimento insuport\u00e1vel<\/a>.<\/p>\n<p><b>Eduardo Jorge, 1%<\/b> &#8211; O \u00faltimo debate nos trouxe mais uma vez a atitude boa-pra\u00e7a e o esp\u00edrito aberto de Eduardo Jorge, caracter\u00edsticas simp\u00e1ticas que s\u00e3o tamb\u00e9m o calcanhar de Aquiles do nosso sereno combatente, afinal, para a imensa maioria de n\u00f3s, o exerc\u00edcio do poder requer algum \u00edmpeto de enfrentamento, pois, em pol\u00edtica, mesmo o chamado consenso \u00e9 algo que se constr\u00f3i contra algu\u00e9m. Embora, assim como Luciana, tenha tratado de temas da maior import\u00e2ncia, Eduardo sempre o fez da perspectiva de quem est\u00e1 pregando, n\u00e3o daquela de quem est\u00e1 se propondo a partir para a a\u00e7\u00e3o. Provavelmente em raz\u00e3o de uma impertinente certeza \u00edntima de que n\u00e3o passaria ao segundo turno, o candidato jamais deixou de transmitir um certo alheamento, impress\u00e3o refor\u00e7ada por muitos dos seus programas eleitorais, em que aparecia num arremedo de rep\u00f3rter de causas nobres, mas perif\u00e9ricas. A rela\u00e7\u00e3o entre sua vis\u00e3o de mundo sofisticada e o exerc\u00edcio da presid\u00eancia da Rep\u00fablica jamais se desenhou. A mod\u00e9stia de Eduardo, aliada ao seu detalhismo, o impediu de enxergar e, sobretudo, de sentir, que a seriedade e a atualidade das quest\u00f5es para as quais ele procurou chamar a aten\u00e7\u00e3o do eleitor s\u00e3o t\u00e3o estruturais na busca de uma sa\u00edda para a encrenca em que estamos metidos, que n\u00e3o havia motivo algum para ele afastar por completo a possibilidade de ir adiante na disputa &#8211; se tempo de TV fosse determinante, Marina n\u00e3o teria ido at\u00e9 l\u00e1 de onde acabou por ter de voltar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">xxx<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.714285714; font-size: 1rem;\">Com este <\/span><i style=\"line-height: 1.714285714; font-size: 1rem;\">post<\/i><span style=\"font-size: 1rem; line-height: 1.714285714;\"> completo 49 dias e 23 textos acompanhando a disputa. Busquei tratar com justi\u00e7a aos candidatos, partidos e for\u00e7as pol\u00edticas de que me ocupei, progredindo como o viajante noturno que abre caminho imerso na escurid\u00e3o, ciente dos perigos impostos pelos limites estreitos em que se move, ladeado que vai das exig\u00eancias da objetividade e das armadilhas de suas pr\u00f3prias prefer\u00eancias. Gosto de supor que ao avan\u00e7ar tive sucesso tanto em evitar a pr\u00e9dica, sempre indesej\u00e1vel, sem afetar neutralidade que n\u00e3o almejo; quanto em refrear toda indigna\u00e7\u00e3o bem antes de v\u00ea-la revestir-se do sempre detest\u00e1vel moralismo. Jogo jogado, e amanh\u00e3 teremos luz plena sobre o resultado do primeiro trecho vencido. Declaro todo o meu reconhecimento \u00e0queles que, em conversas pessoais, ou por telefone, e-mail, e no pr\u00f3prio Blog, me honraram com suas observa\u00e7\u00f5es sobre aquilo que fui propondo \u00e0\u00a0<\/span>discuss\u00e3o<span style=\"font-size: 1rem; line-height: 1.714285714;\">.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Novaes, 4 de outubro de 2014 &nbsp; Chegamos ao fim do primeiro turno sem que nenhum candidato nos tenha oferecido uma perspectiva de transforma\u00e7\u00e3o, embora o esgotamento do modelo atual esteja claro e reclame um caminho novo. 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