FHC e Gleisi – há polêmica nisso?

Carlos Novaes, março de 2014

Além da clareza com que exibem suas próprias limitações para a análise da situação política, não há nada que se aproveite nos artigos de Fernando Henrique Cardoso e Gleisi Hoffmann em exibição no UOL. Em seu disparate e em sua nota cômica comuns, os artigos servem de aperitivo salobro aos pratos indigestos que nos serão servidos à farta nessa campanha eleitoral de 2014.

O ponto alto é o disparate comum entre as duas forças que os articulistas representam: a ideia de que possam haver “questões fundamentais” a unir a “nossa nação”. O que é fundamental desune, sempre, precisamente por ser fundamental, e não há nada mais transformador do que a busca e o empenho pelo que é fundamental.

Ao darem as costas a verdade política tão básica em favor do conforto propiciado pelo convencionalismo (atitude típica de quem “já chegou lá”), essas duas figuras emblemáticas do velho  expressam como meta o que o Brasil precisa deixar para trás: a busca de um modelo em que todos ganham, sempre que por ganhar se entenda manter inalterada ou melhorar a própria condição na pirâmide da riqueza e do mando, qualquer que seja a posição ocupada nela: como se sabe há tempos, alguém tem de perder. Mas como pretender tal descortino de um ex-presidente da República que chegou ao posto precisamente porque, sem ter se comprometido com a feição transformadora da política, se credenciou (pelo que escreveu e fez), entre os que teriam de perder, como “referencial de equilíbrio e estabilidade do debate nacional”? E o que esperar de uma aspirante à presidência da mesma República (Gleisi é inábil a ponto de sempre deixar evidente que vem vociferando sobretudo para se credenciar junto aos seus, sonhando em preencher o vácuo geracional do PT) que serve a um governo que se julga imune à fúria das ruas porque não a mereceria “depois de tanto ter feito por essa gente” e tem, como chefe a quem teme, ninguém menos que Lula, que se jacta de que sob seu mando os banqueiros ganharam dinheiro como nunca — embora ele próprio tenha chegado à presidência como símbolo (suposto, diga-se) de uma transformação tão necessária quanto mal representada por ele?

A nota cômica é o modo como ambos cospem e continuam a comer no prato cuspido: ele porque pretende levar o leitor a ter esperanças numa “classe política” de que se serviu e que, só agora, reconhece como o sustentáculo fisiológico do estado de coisas malsão que se quer superar; ela porque depois de apontar a cusparada do pseudo adversário, completa o “raciocínio” cuspindo ela mesma, para em seguida assumir ares solenes na defesa do Congresso, mostrando-se afetada com o  “achincalhe” ao prato duplamente cuspido em que continua comendo. Porta dos Fundos ficou no chinelo.

Uma ideia sobre “FHC e Gleisi – há polêmica nisso?

  1. Soraia Kuya

    Ai, quanta falta o Novaes faz no jornal da tv.. Quem na nossa mídia fala com tanta lucidez assim? Talvez o Vila prof de História) se aproxime.. Nem consigo assistir mais àquele jornal da Cultura depois q o Novaes saiu, é tão triste. O Vila sozinho não dá conta: de tão insípido q aquilo ficou – quase tanto quanto como os das outras tvs. Um insulto à gente. Assim como a Folha/UOL, q já tão quase virando Veja, com colunistas como estes: Gleisi, FHC, Pondé ..? Vão de retro! ahrg!
    As cusparadas no prato são tão boas metáforas aqui. Só podiam partir do Novaes.. pq q nojo dá na gente ver essas gralhas (e q me desculpem os pássaros reais, coitadinhas das gralhas, comparadas a FHC, Gleisi, Pondé..), regurgitando na mídia de novo e sempre – eca!
    Quando a gente já passou por tanta tragédia; já viramos farsa e de novo temos q rir só de tragédias, pois quem faz o jornalismo brasileiro de verdade são os humoristas, e tbm já tão dando no …. estômago, com seus bordões tanta vez repetidos..
    ‘Não dá pra não’ perguntar, parafraseando o antigo ‘clichê’ da Folha, qué q essa gente (Gleisi, FHC) tá fazendo aí nas suas colunas?

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